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07 de fevereiro de 2020, 14h24

Rede social montou operação abafa para esconder suicídio ao vivo de brasileiro

Caso aconteceu em fevereiro de 2019, mas foi revelado só nos últimos dias. A empresa demorou duas horas para chamar a polícia, que foi avisada só após montar plano para esconder o fato

Comunicado da empresa responsável pelo TikTok, após suicídio de jovem brasileiro transmitido ao vivo pelo aplicativo (foto: reprodução)

Uma matéria publicada nesta sexta-feira (7) pelo The Intercept Brasil conta as últimas horas de vida, e as primeiras horas após a morte de João, um adolescente curitibano de 19 anos, que se suicidou no dia 21 de fevereiro de 2019.

João utilizou o TikTok para fazer a transmissão ao vivo de sua morte. O TikTok é um dos aplicativos mais utilizados do mundo – o terceiro mais baixado da história –, e líder na Ásia e nos Estados Unidos entre as plataformas de criação e compartilhamento de vídeos curtos.

Segundo a matéria, 280 pessoas assistiram a morte de João, e 15 denúncias foram feitas pelos espectadores, durante a transmissão, que ficou no ar por mais de uma hora e meia após o falecimento, com o corpo exposto ao vivo. No entanto, o que aconteceu depois foi o que mais chamou a atenção.

A morte de João aconteceu às 15h23 daquele dia, mas os funcionários do TikTok só souberam do acontecido por volta das 17h, segundo uma ex-empregada da empresa ByteDance, criadora e administradora do aplicativo. Segundo ela, a partir de então, e durante as três horas seguintes, o escritório brasileiro da empresa, atuou rapidamente, mas não para prestar algum tipo de auxílio ao jovem, chamar a polícia ou a sua família, mas sim para evitar que aquele caso pudesse afetar a imagem do aplicativo.

A primeira ação da filial brasileira, ao perceber o que aconteceu, foi excluir a conta de João, o que aconteceu às 17h13, quase duas horas depois de sua morte. A medida posterior foi acionar a equipe de relações públicas, que difundiu rapidamente uma nota de pêsames dirigida aos usuários e à imprensa, dizendo que o TikTok estava “extremamente triste com esta tragédia” e que “nossa prioridade é criar um ambiente seguro e positivo no aplicativo”.

O texto também assegura que o aplicativo possui “ medidas para proteger users contra o uso indevido do app, incluindo mecanismos fáceis de denúncias que permitem denunciar conteúdo que violem nossos termos de uso”.

Somente depois de todas essas providências tomadas, por volta das 19h56 – 4 horas e meia depois da morte e quase três horas depois de a empresa tomar ciência do fato – o escritório brasileiro do TikTok se comunicou com a Polícia do Paraná.

Segundo a ficha de João no Instituto Médico Legal de Curitiba, a entrada do corpo aconteceu à 20h05, nove minutos após o TikTok avisar a polícia. Segundo a reportagem do The Intercept Brasil, o TikTok não fez nenhum tipo de contato com a família de João.


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