Fórumcast #19
10 de junho de 2015, 15h06

Roger Waters faz novo apelo para que Gil e Caetano não sem apresentem em Israel

Apesar de os músicos brasileiros já terem negado um primeiro pedido, o líder do Pink Floyd escreveu uma nova carta para tentar convencê-los a cancelar o show como um sinal de repúdio às ocupações israelenses em territórios palestinos. Na carta, Waters conta a história de dois jovens palestinos mortos por forças israelenses que não poderão acompanhar os shows; leia

Apesar de os músicos brasileiros já terem negado um primeiro pedido, o líder do Pink Floyd escreveu uma nova carta para tentar convencê-los a cancelar o show como um sinal de repúdio às ocupações israelenses em territórios palestinos. Na carta, Waters conta a história de dois jovens palestinos mortos por forças israelenses que não poderão acompanhar os shows; leia 

Por Redação 

A pressão continua para que Gilberto Gil e Caetano Veloso cancelem o show marcado para 28 de julho na cidade de Tel Aviv, em Israel. Ainda que os músicos já tenham negado inúmeros pedidos para não fazerem a apresentação, o ex-baixista do Pink Floyd, Roger Waters, voltou a apelar para que os brasileiros desistam do show em prol da causa palestina.

Em maio, Waters havia feito um primeiro pedido, que foi ignorado pelos brasileiros. Essa semana o músico inglês escreveu uma nova carta a Gil e Caetano através do BDS (sigla para “boicote, desinvestimento e sanções”), movimento global de pressão a Israel para que desocupem os territórios palestinos. 

No mês passado eu escrevi para Caetano e Gil e não recebi nenhuma resposta, mas suponho que eles irão cruzar a linha do piquete e tocar em Tel Aviv. Que seja. Eles devem ter razões imperativas que estão guardando para si mesmos. Em minha carta a eles, eu falei sobre futebol, praias, direitos humanos e sonhos. Aqui vai uma história sobre sonhos e futebol”, introduziu o cantor. 

No texto, ele fala sobre dois jovens garotos palestinos – Jawhar e Halabiya – que sonhavam e ser jogadores de futebol e que foram covardemente assassinados por forças israelenses. “Assim, Caetano e Gil, Jawhar e Halabiya não estarão presentes no show de vocês em Tel Aviv. No entanto, os homens que os balearam estão livres para comparecer, se desejarem”, explica. 

Confira abaixo a íntegra da carta:

Veja também:  Câmara libera o trabalho aos domingos e aprova fim do ponto

“Ao Editor,

No mês passado eu escrevi para Caetano e Gil e não recebi nenhuma resposta, mas suponho que eles irão cruzar a linha do piquete e tocar em Tel Aviv. Que seja. Eles devem ter razões imperativas que estão guardando para si mesmos. Em minha carta a eles, eu falei sobre futebol, praias, direitos humanos e sonhos. Aqui vai uma história sobre sonhos e futebol.

Jawhar Nasser Jawhar, 19, e Adam Abd al-Raouf Halabiya, 17, dois jovens e promissores jogadores de futebol, sonhavam em um dia jogar profissionalmente, talvez até defendendo a camisa do país deles. Em 31 de janeiro, enquanto eles caminhavam para casa, saindo de uma sessão de treinamento no Estádio de Faisal al-Husseini em al-Ram, no centro da Cisjordânia, forças israelenses abriram fogo contra eles sem aviso.

Jawhar foi atingido sete vezes em seu pé esquerdo e três vezes no direito. Halabiya foi ferido uma vez em seu pé esquerdo e uma no direito. Médicos no hospital governamental de Ramallah dizem que os dois nunca chutarão uma bola de futebol de novo; na verdade, serão necessários seis meses de tratamento antes que os médicos possam avaliar se eles poderão andar novamente.

Estes dois jovens não foram acusados de nenhum delito, e nenhum inquérito foi aberto sobre as ações dos soldados responsáveis por suas lesões incapacitantes.

Assim, Caetano e Gil, Jawhar e Halabiya não estarão presentes no show de vocês em Tel Aviv. No entanto, os homens que os balearam estão livres para comparecer, se desejarem.

Roger Waters”


Você pode fazer o jornalismo da Fórum ser cada vez melhor

A Fórum nunca foi tão lida como atualmente. Ao mesmo tempo nunca publicou tanto conteúdo original e trabalhou com tantos colaboradores e colunistas. Ou seja, nossos recordes mensais de audiência são frutos de um enorme esforço para fazer um jornalismo posicionado a favor dos direitos, da democracia e dos movimentos sociais, mas que não seja panfletário e de baixa qualidade. Prezamos nossa credibilidade. Mesmo com todo esse sucesso não estamos satisfeitos.

Queremos melhorar nossa qualidade editorial e alcançar cada vez mais gente. Para isso precisamos de um número maior de sócios, que é a forma que encontramos para bancar parte do nosso projeto. Sócios já recebem uma newsletter exclusiva todas as manhãs e em julho terão uma área exclusiva.

Fique sócio e faça parte desta caminhada para que ela se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie a Fórum