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29 de setembro de 2013, 20h13

Semana decisiva para 2014

Marina briga para ter uma legenda e Aécio, que esteve quase três anos à frente do PSDB, jamais conseguiu se firmar como liderança

Marina briga para ter uma legenda e Aécio, que esteve quase três anos à frente do PSDB, jamais conseguiu se firmar como liderança

Por Fernando Brito, do Tijolaço

Esta semana definirá o que teremos em 2014.

Porque, até agora, o que temos é a disputa por quem se habilita para tentar – e só tentar – alcançar um lugar num segundo turno presidencial.

Marina briga para ter uma legenda, embora isso, a essa altura, sequer venha a lhe permitir organizar uma base partidária que lhe sirva de alguma coisa eleitoralmente. Ao contrário, se conseguir vir à luz a tal Rede, Marina é que elegerá alguns deputados sem peso político próprio, um saco de gatos, originários desde o PT ao PSDB.

Ficou evidente sua incapacidade de assumir posições de liderança e produzir um discurso “limpinho” de classe média, sem projetos ou causas para o país, fora de um pensamento elitista que não sai dos “meios” de fazer política e não alcança o fim desta atividade, a escolha de caminhos para o país e quem deles serão os beneficiários.

Dificilmente Marina vai ter outra onda como a de junho para surfar eleitoralmente, mas ali revelou que é uma imagem construída, não uma liderança real.

Ainda não se sabe quais nomes constarão na lista de escolhas em 2014

Aécio teve quase três anos à frente do PSDB e, tirando o “mérito” de ver Serra se afundar na eleição para prefeito de São Paulo e esvaziar sua influência entre os tucanos, jamais conseguiu se firmar como liderança.

A impressão que deixa no país é de alguém que não está ali para valer, e até por isso mereça certa indulgência de tratamento do meio político: com ele cada um pode fazer o que quiser, porque não tem uma estratégia e nenhuma política de alianças.

A direita feroz, cada vez mais marcante no perfil do eleitorado conservador – não se vê em Aécio: falta-lhe realismo quando assume um discurso odioso. E o mote do “vamos conversar”, cá entre nós, parece cantada de segunda categoria, não funciona como não funcionou o – lembra-se? – o tal “O Brasil pode mais” de Serra no ano passado.

Aliás, é sintomático que a esta altura, com o PSDB “dominado”, com Fernando Henrique Cardoso de “padrinho” e com Serra isolado e acuado, ainda assim pareça que é ele, e não o paulista, quem depende, para vida ou para a morte, do que o serrismo vá fazer.

E José Serra?

De todos, é claro que é quem possui mais densidade política, é mais simbolicamente identificado com um projeto político administrativo para o Brasil. Colonial, mas um projeto.

O problema de Serra é que ele e o Brasil inteiro sabem que até por isso seus níveis de rejeição são inviabilizantes – e a eleição de Prefeito mostrou que, hoje, até em São Paulo, o ninho tucano, isso tornou-se incontornável – e ele pouco terá a disputar nesta eleição que a destruição das ambições aecistas e a liquidação dos líeres do PSDB, Fernando Henrique entre eles.

Para quem conhece os ódios e rancores de Serra, talvez isso lhe baste.

Mas para se firmar como líder da oposição para 2018, com sua inapetência pela vida político-partidária e pelas alianças, a distância é quilométrica.

Com todos os erros do Governo Dilma, sobretudo no campo da comunicação e no controle da base aliada que lhe sustenta, parece que – salvo desastres econômicos imprevisìveis, embora desejados diuturnamente pela mídia – o processo eleitoral toma um desenho inicial muito nítido.

E o grande eleitor, Lula, embora tenha declarado “estar no jogo”, ainda não saiu do banco.


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