União Europeia pode barrar exportação da vacina AstraZeneca

Presidente da África do Sul criticou a postura do bloco europeu e pediu para que eles não esqueçam dos países mais pobres; OMS classificou ação dos países ricos como “egoísta”

A União Europeia entrou em rota de colisão com AstraZeneca e ameaça impedir suas importações de vacinas contra a Covid-19 enquanto a empresa não cumprir seu contrato de fornecer as doses prometidas, a partir de um acordo, com Bruxelas.

De acordo com informações da coluna de Jamil Chade, no UOL, o governo da Alemanha “aplaudiu” a ameaça de barrar as importações de vacinas.

Dessa maneira, a postura da União Europeia abriu uma crise entre o bloco europeu e os países em desenvolvimento.

Quem deu voz para tal desconforto mediante as atitudes da UE foi o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, que classificou a ameaça do bloco europeu de “nacionalismo das vacinas”.

“Precisamos que aqueles que acumularam as vacinas liberem as vacinas para que outros países possam tê-las. Os países ricos do mundo adquiriram doses de vacinas dos fabricantes dessas vacinas e alguns países foram além e adquiriram até quatro vezes mais do que sua população precisa. E isso teve como objetivo acumular essas vacinas. E agora isso está sendo feito com a exclusão de outros países do mundo que mais precisam disto”, criticou o presidente da África do Sul.

A AstraZeneca fechou uma série de acordos com vários países ao redor do mundo. Isso se deu por conta das características de suas doses, que são mais baratas e mais fáceis de serem transportadas.

As ameaças da UE acenderam o sinal de alerta da ONU e da OMS, que atentaram para o fato que de tal situação pode descambar para uma guerra comercial e complicar as relações internacionais entre os países.

Bruxelas alega que as ameaças se deram porque a AstraZeneca deu a entender que não conseguiria cumprir o calendário combinado para a entrega de 100 milhões de doses da vacina. A previsão, agora, é de que sejam entregues 50 milhões de doses.

Enquanto a União Europeia classificou a decisão da empresa como “inaceitável”, a Organização Mundial da Saúde afirmou que os governos europeus estão sendo “egoístas”.

De acordo com levantamento feito pelo UOL, os países ricos têm uma reserva de 2,2 bilhões de doses acima do que precisam para suas populações.

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).

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Renato Rovai
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