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08 de fevereiro de 2012, 19h14

Versão nova de Persépolis ataca Ahmadinejad

Dois opositores iranianos do regime de Ahmadinejad alteraram a célebre história em quadrinhos Persépolis, de Marjane Satrapi, e rebatizaram-na Persépolis 2.0, para denunciar as condições em que foi reeleito o presidente Mahmoud Ahmadinejad e protestar contra a repressão no Irã.

Em Persépolis, publicada no início desta década em França e adaptada ao cinema em 2007, a autora de origem iraniana conta a queda do regime do xá em 1979 e o início da Revolução Islâmica. Conhecidos pelos nomes de Sina e Payman, os dois jovens opositores mantiveram os desenhos a preto e branco da versão original e adaptaram os textos à atualidade.

As manifestações contra o xá de 1979 transformaram-se assim nos protestos contra a fraude eleitoral denunciada pelos opositores após as eleições presidenciais de 12 de julho. E há uma menina que sonha todas as noites, na sua cama, com um futuro melhor.

"Disseram que queriam fazer qualquer coisa com o meu trabalho e eu autorizei", explicou à AFP Marjane Satrapi.

Como muitos iranianos na diáspora, os dois opositores, que atualmente vivem em Xangai, acompanharam longe do seu país as eleições no Irã e as suas consequências. "Passamos do desespero à cólera e depois à tristeza. Ficamos impressionados pela coragem do nosso povo e em cólera contra o governo e o processo fraudulento", contam.

A banda desenhada original de Marjane Satrapi, em quatro volumes, é muito popular no Ocidente, mas também no Irã, e o filme que lhe deu origem obteve em 2007 o prêmio do júri do Festival de Cannes.

Segundo Sina e Payman, mais de 100 mil pessoas acederam em algumas semanas ao site http://www.spreadpersepolis.com/, onde pode ser visto o Persépolis 2.0.

A censura da internet no Irã complica o acesso, mas os autores dizem que têm recebido inúmeras mensagens de correio eletrônico de iranianos "a agradecer a divulgação ao mundo o que se passa no Irão".

"Fomos duramente atacados por vários jornais ultraconservadores que são como porta-vozes do Governo. É um bom sinal", adiantam.

Em junho, Marjane Satrapi tinha apelado à comunidade internacional para que não reconhecesse a reeleição do presidente Ahmadinejad, que qualificou de "golpe de Estado", numa conferência de imprensa no Parlamento Europeu.

No entanto, mostrou-se reservada quanto ao impacto de Persépolis 2.0: "Informar um pouco as pessoas já é muito. Com o nosso trabalho não temos senão pequenos impactos. Mas é preciso milhares de milhões para se mudar alguma coisa".

Por Esquerda.net.


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