Vídeo: “O direito de sonhar é tirado da periferia”, diz Tchê Tchê

Depoimento foi ação do São Paulo no Dia da Consciência Negra; jogador lembra ainda que é difícil ver médicos negros em hospitais de elite

Em um vídeo postado pelo São Paulo em suas redes sociais como ação no Dia da Consciência Negra, nesta sexta-feira (20), o meia Tchê Tchê afirma: “O direito de sonhar é tirado muitas vezes da periferia”.

Na publicação, o atleta faz um depoimento sobre o que passou e o que vê seus antigos vizinhos viverem. “Eu volto onde nasci, na minha quebrada e as pessoas não têm a condição de [pensar]: ‘Caramba, eu posso lutar e eu posso sair daqui’”.

Para ele, é “difícil você sonhar quando você vê seu pai trabalhando todo dia e mal dá para pagar as contas”. No entanto, Tchê Tchê ressalta que não é que as pessoas na periferia não sonhem. “É a realidade que a gente vive lá. Eu falo porque eu vivi isso”.

Na avaliação do atleta, a consequência dessa falta de perspectiva é a baixa presença de pessoas negras em posições sociais mais destacadas. “Por isso que é difícil ver um negro em cargos mais altos. É difícil você ver um negro médico. Você vai nos hospitais de alta linha em São Paulo dificilmente você vê um negro ali como médico, como chefe. Agora, o segurança é diferente. Você vê o segurança, o manobrista, eles são negros”, afirmou.

Falando especificamente sobre racismo, ele afirma que, em sua visão, dificilmente ele vai acabar. “A gente pode ter a voz mais ativa para que as pessoas se conscientizem e isso possa diminuir cada vez mais”, disse.

Por isso, o jogador afirma que sempre vai lutar por essa causa. “Tenho filho e não quero que ele passe por diversas coisas que eu passei.”

Veja o vídeo:

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Fabíola Salani

Graduada em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalhou por mais de 20 anos na Folha de S. Paulo e no Metro Jornal, cobrindo cidades, economia, mobilidade, meio ambiente e política.