"Trump se comporta como um imperador que quer acabar com outros poderes", diz Celso Amorim

Ex-ministro também criticou o modelo eleitoral dos EUA e a demora na divulgação do resultado. "Imagina se fosse na Bolívia?", questionou

Celso Amorim (Arquivo/Ministério das Relações Exteriores)
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Em entrevista ao Fórum Café nesta quinta-feira (5), o ex-ministro de Relações Exteriores e da Defesa nos governos Lula e Dilma Rousseff, Celso Amorim, criticou a postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, perante as eleições no país norte-americano. O mandatário ameaçou ir à Suprema Corte para denunciar uma suposta fraude no pleito, assim como pedir a paralisação da contagem dos votos.

"No caso do Trump, é um caso extremo. É natural e previsível que em um regime democrático haja embate entre os poderes, mas no caso do Trump não é isso, ele é adversário dos outros poderes, é inimigo, ele se comporta como imperador que quer acabar com outros poderes. Ele sabe que não pode, mas faz o possível para acabar. Eu acho que essas coisas ensejarão uma reflexão, mas vai mudar? Não sei", declarou Amorim.

Para Amorim, se uma paralisação da contagem de votos tivesse acontecido na Bolívia ou na América Central, a reação internacional teria sido outra. O ex-ministro também fez críticas ao modelo eleitoral estadunidense.

"Você imagina se fosse na Bolívia, e a Corte Suprema parasse a contagem porque passou do prazo e desse a vitória para o candidato do Evo Morales ou para o Evo Morales. Imagina qual seria a reação da OEA, da grande mídia brasileira, diriam que está provado que é um governo autoritário. Se fosse na América Central, diriam que é uma república de bananas. Mas não, nos EUA é assim e todos aceitam, e eles aceitam", afirma.

"Agora é uma coisa anunciada. A verdade é que, enquanto houver o colégio eleitoral, sempre haverá possibilidade de ganhar com minoria no voto popular. Isso colocou luz em vários problemas da democracia norte-americana, mas nem por isso ela deixe de ter seus méritos", completou.

Em seguida, Amorim disse estar surpreso em relação ao apoio que a extrema direita tem no mundo, em referência a quantidade de votos que Donald Trump conquistou até então. "Eu acho uma coisa impressionante que a extrema direita consiga tantos votos. As pessoas ingênuas que são levadas por elas. Na Alemanha nazista e na Itália fascista, não necessariamente as pessoas são fascistas ou nazistas", disse.

Confira a entrevista completa:

https://www.youtube.com/watch?v=qn2lWTeZSjM