ELEIÇÕES 2022

Sarney declara voto em Lula por meio de carta aberta: “A diferença é clara”

Ex-presidente também criticou o orçamento secreto e comparou Bolsonaro a outros líderes autoritários como Viktor Orbán, Donald Trump e Vladimir Putin

José Sarney (MDB)Créditos: Arquivo/Agência Brasil.
Escrito en POLÍTICA el

O ex-presidente José Sarney (MDB) declarou voto em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta segunda-feira (24) por meio de carta aberta. Para o presidente da redemocratização, o país vive uma encruzilhada entre o fim da democracia e a sua restauração. Ele considera que uma vitória do atual presidente Jair Bolsonaro (PL) pode acarretar em mais ataques às instituições e uma espécie de autocracia no futuro.

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“No próximo domingo, o eleitor decidirá se vota pelo fim da democracia ou por sua restauração. Esse voto não é para quatro anos de governo: é um voto para o destino do Brasil. O voto em Bolsonaro é voto contra as instituições, que terá como consequência anos de autocracia, um regime de força, construído na mentira sistemática e no abuso do poder. O voto em Lula — que já tem seu lugar na História do Brasil como quem levou o povo ao poder e como responsável por dois excelentes governos — é voto pela democracia, pela volta ao regime de alternância de poder, pela busca do Estado de Bem-Estar Social. A diferença é clara”, declarou Sarney na carta aberta.

O ex-presidente vê Bolsonaro como um líder autoritário e chegou a compará-los a outros, como os presidentes Vladimir Putin, da Rússia, e Viktor Orbán, da Hungria, além do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, que é investigado por envolvimento nos ataques ao Capitólio de Washington em 6 de janeiro de 2021, onde seus apoiadores tentaram impedir à força sua derrota para o atual presidente Joe Biden.

“Um aspecto tenebroso dos movimentos políticos é sua globalização. Desde a Antiguidade as estruturas das nações assumem formas paralelas. Um exemplo é a proximidade das figuras de Trump, Orbán, Putin e Bolsonaro. Uma de suas marcas é a proliferação das fake news. Outras a xenofobia, o racismo, a divisão da sociedade. Assim se hostiliza, agora, os nordestinos, os pobres, como se fossem brasileiros inferiores. Isso atenta contra todos os princípios democráticos e até éticos. É a guerra contra a democracia, o demos, o povo”, escreveu Sarney, que também lembrou do orçamento secreto.

O atual contrato 'secreto' entre o Executivo e o Legislativo, fixado em valores agigantados diante dos parcos recursos do Orçamento da República, é campo privilegiado para os interesses escusos. A minoria, esmagada de uma forma que não se via desde o princípio do Império — lembro que nos períodos de exceção não há maioria ou minoria —, tem como única defesa apelar para que o Judiciário faça o que não é sua função e interfira no funcionamento do Congresso Nacional”, diz a carta.