FRAUDE E NEGACIONISMO

CGU confirma fraude no cartão de vacinação de Bolsonaro

O inelegível chegou a colocar um sigilo de 100 anos sobre seu cartão de vacinação, devidamente quebrado pela Controladoria-Geral da União

Bolsonaro mostra caixa de Cloroquina em coletiva de imprensa.Créditos: Carolina Antunes/PR
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A Controladoria-Geral da União (CGU) confirmou nesta quinta-feira (18) que o único registro no cartão de vacinação contra a Covid-19 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi fraudado. A informação é oriunda de uma investigação do órgão acerca das suspeitas em torno de fraudes o cartão de vacinação do inelegível e foi obtida via Lei de Acesso à Informação.

Em nota divulgada no portal do Governo Federal, a CGU informa que verificou inconsistências nos dados recebidos do Ministério da Saúde e pediu a apuração da Corregedoria-Geral da União.

O registro em questão se refere a uma suposta vacina da Jansen recebida por Bolsonaro em 19 de julho de 2021, na UBS (Unidade Básica de Saúde) do Parque Peruche, na Zona Norte de São Paulo. Outros registros, que teriam sido feitos em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, já tinham sido cancelados no sistema antes do início das investigações da CGU. Sobre os registros no Rio, os auditores da CGU apontam possível esquema de fraude envolvendo o executivo municipal.

Sobre o registro remanescente, em maio do ano passado o Ministério Público de São Paulo já apontava que poderia ser fruto de falsificação. A investigação ouviu testemunhas da UBS e outras figuras para chegar a conclusão de que Bolsonaro não tomou a vacina naquela data naquele posto de saúde. De acordo com o MPSP, a informação foi inserida no sistema por "pessoa desconhecida".

Além disso, conforme apurado pela imprensa nacional e confirmado em reportagem da Fórum, Bolsonaro havia desembarcado em Brasília na data anterior, em 18 de julho. Ele tinha acabado de receber alta de um hospital em São Paulo onde tratava de obstrução intestinal. Durante a internação teria sido aconselhado por aliados a baixar o tom nas declarações ofensivas e negacionistas e a se vacinar.

No dia da suposta vacinação, Bolsonaro amanheceu no ‘cercadinho’ do Alvorada, onde chamou o presidente da CPI da Covid, Omar Aziz, de “anta amazônica”, diante do ‘gado’. Também prometeu, e cumpriu mais tarde, vetar acesso ao fundo eleitoral de R$ 5,7 bilhões aos partidos políticos. Mas o veto caiu após votações na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. Na conversa com apoiadores, o ex-presidente voltou a defender o uso de cloroquina e outros medicamentos comprovadamente ineficazes contra a Covid-19. Também defendeu a tese de que a vacinação não deveria ser obrigatória.

Já na sua investigação, a CGU confirmou as informações acerca dos voos tomados por Bolsonaro com a Força Aérea Brasileira e constatou que, realmente, ele não esteve em São Paulo na data. Também apurou informações sobre o lote da vacina que teria sido supostamente aplicada naquele dia e descobriu que não estaria disponível na UBS de Parque Peruche na mesma data.

A investigação conduzida pela CGU ainda ouviu uma série de pessoas que trabalhavam na UBS, incluindo a enfermeira que constava como a aplicadora do imunizante, e ela negou que tenha visto Bolsonaro no seu local de trabalho, e muito menos que o tenha vacinado. Ela sequer trabalhava naquela data, e confirmou a afirmação mediante apresentação de documentos. Todos os servidores consultados deram a mesma resposta, de que Bolsonaro jamais esteve ali.

Não satisfeita, a CGU também verificou os livros físicos de registro de vacinação da UBS e, em 19 de julho de 2021, não há qualquer menção à presença do ex-presidente inelegível. Além disso, também ficou confirmado que a inserção dos dados não ocorreu através de sistema operado pelo Ministério da Saúde e nenhum servidor que tenha colaborado com a fraude foi identificado.

“Portanto, quanto à vacinação que teria ocorrido em São Paulo – único registro que ainda permanece no cartão de vacinação do ex-Chefe do Executivo – a CGU encerrou seus trabalhos no final de 2023. A conclusão foi que se trata de fraude ao sistema estadual de registro de vacinação contra a Covid-19”, diz o relatório da CGU em sua conclusão.