Fórumcast #20
03 de abril de 2019, 10h12

Alexandre Frota pode ter salário bloqueado por calote em boate gay de Brasília

Ele topou fazer show na “Oficina Dancing Bar”, a 15 quilômetros do Congresso Nacional, mas não apareceu, causando prejuízos

Foto: Reprodução

Em 2006, a empresária Nice Pereira Faria uma “Festa do Orgulho Gay em Brasília”. A festa teria como estrela Alexandre Frota, que atuava em filmes pornôs. O atual deputado federal pelo PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, assinou um contrato com cachê de R$ 2 mil — metade paga logo após a assinatura, metade pouco antes da festa—, fora diárias e passagens de São Paulo.

Ele topou fazer no mínimo uma hora e meia de show na “Oficina Dancing Bar”, a 15 quilômetros do Congresso Nacional. Mas Frota não foi. A empresária se irritou e reclamou à Justiça danos materiais e morais — só conseguiu sentença favorável para o primeiro pleito. Desde então, corre um processo no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) contra o hoje deputado do PSL de São Paulo.

Até o mês passado, quando a Câmara dos Deputados recebeu um ofício da corte pedindo detalhes do salário do parlamentar, para avaliar se mandava penhorar o valor, ele ou qualquer representante legal jamais haviam se manifestado nos autos.

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O montante cobrado pela Justiça saltou com o passar dos anos. De R$ 30 mil para R$ 80 mil. O Alexandre Frota que consta do processo é um devedor contumaz, que o tribunal tinha dificuldades em localizar, assim como seus bens.

De acordo com reportagem da revista Época, o jogo de gato e rato entre a justiça e Frota se arrasta desde 2006. O ator pornô ficaria mais de uma década sem fazer qualquer comunicação no processo. Não indicou advogados nem defensores públicos, tampouco fez defesa própria. Deixou o caso correr. A saga para a citação da parte, um procedimento comum em todo processo, era o prenúncio de que a procura pelo dinheiro devido seria dura.

Em 2018, Frota foi eleito deputado pelo partido de Bolsonaro e com o slogan “A sua luta é a minha luta. Pelo fim da corrupção!”. No começo deste ano, a juíza Priscila Faria da Silva concordou em oficiar a Câmara dos Deputados tão logo Frota tomasse posse. Faria citou que o salário bruto de um deputado passa dos R$ 33 mil.

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O contracheque de R$ 33.743 brutos de fevereiro, no entanto, tinha um “desconto judicial” de R$ 10.128,90. Com abatimentos de impostos e seguridade social, Frota auferiu R$ 11.990,83 naquele mês. O embargo foi determinado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo no começo deste ano, por causa de uma dívida de Frota com o Banco Econômico.

A defesa de Frota conseguiu até agora  segurar o restante, com o argumento de que o valor serviria para o sustento do deputado e seus filhos. Até o momento, a empresária não conseguiu receber o que lhe é devido. “Não vou desistir. Que isso fique bem claro. Vou recorrer até o STF se for preciso”, afirma Nice Pereira, quase 13 anos após a frustrada festa do orgulho gay de Brasília.

Ela se diz amargamente arrependida por ter feito negócio com Frota. “Era uma oportunidade para se ganhar dinheiro por conta da Semana Gay. Como todo empresário, você vê o lucro. Mas só tive prejuízo”. Ela conta que o contato com ele para assinar o contrato foi “de primeira”. E diz que viveu momentos de angústia no dia da festa. “Teve muita briga, teve gente que tivemos que liberar, porque não foi para ver o gogo dancer substituto que arranjamos de última hora, foi para ver Frota. E era a primeira vez do Frota numa boate aqui. Todos queriam vê-lo. Ele estava muito bonito naquele tempo”.

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Com informações da coluna de Guilherme Amado na Época


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