quarta-feira, 23 set 2020
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Ameaçado, Boulos anda com segurança e cogita armação para prendê-lo

Guilherme Boulos, candidato do PSOL à presidência da República e líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), desde novembro de 2018, vem recebendo inúmeras ameaças por WhatsApp e Facebook. Algumas dizem: “Seus dias estão contados”, “Vamos pegar você e sua família”. Em consequência, aliados do movimento se uniram para a contratação de um segurança, de acordo com informações da Época.

Além disso, Boulos recebeu, recentemente, duas intimações judiciais referentes a episódios ocorridos há mais de sete anos, o que configura, claramente, perseguição e tentativa de intimidação.

Um dos inquéritos é sobre uma desocupação no interior de São Paulo e outro sobre uma acusação de peculato (desvio de dinheiro público) em função de um protesto na cidade de Itapecerica da Serra, na região metropolitana de São Paulo.

“Requentaram casos antigos na campanha eleitoral”, declarou Alexandre Pacheco Martins, advogado do ex-candidato do PSOL. “Não faz nenhum sentido”, resumiu.

Boulos, inclusive, pensa na possibilidade de ser preso em uma possível armação governista. De acordo com ele, não é impossível armarem uma situação que o incrimine. Especialmente, quando ele começar a organizar manifestações contra a reforma da Previdência, o que deve ocorrer a partir de março.

“É a coisa mais fácil. Infiltra uma pessoa, provoca um quebra-quebra, uma fatalidade acontece, alguém se fere e eles repetem essa imagem três dias na Rede Record. Eu não preciso nem estar na cena para me culparem e acharem um motivo”, disse.

No entanto, Boulos garantiu que as ameaças e o perigo de prisão não vão intimidá-lo. Ele pretende, ainda, fazer um giro pelo país a partir do próximo mês. “Nós vamos sair na rua. Não dá para a esquerda, num momento como esse, ser dócil e comportada. É preciso tomar para si a luta”.

Esquerda

Boulos tem visitado o ex-presidente Lula para conversar sobre a reorganização da esquerda. Além disso, conseguiu mobilizar políticos e militantes de direitos humanos estrangeiros para visitarem o país e analisar ameaças do governo Bolsonaro aos movimentos sociais.

“Não acho que alguém liga lá e dá uma ordem para me mandarem essas intimações e me perseguirem judicialmente. Mas é como se agora houvesse uma licença para o ‘tudo pode’. Agora tudo pode. E isso vai piorar”, projetou.

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Redação
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