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07 de março de 2019, 06h00

Ao atacar Carnaval, Bolsonaro ignora importância da festa para a economia

Para 2019, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estimou a movimentação financeira de R$ 6,78 bilhões durante e a contratação de 23,4 mil trabalhadores temporários durante o Carnaval. 

Foto: Alexandre Vidal/RioTur

Maior festa popular do Brasil, o Carnaval movimenta a economia e gera postos de trabalho. Os setores de comércio e hoteleiro estão entre os mais beneficiados. A importância cultural e econômica da festa, no entanto, não parece fazer diferença para o presidente Jair Bolsonaro.

Em plena terça-feira (5) de folia, o presidente, que tem 3,5 milhões de seguidores no Twitter – entre eles, diversos jornalistas estrangeiros – postou um vídeo com uma pessoa urinando sobre a outra na rua (em um fetiche sexual chamado golden shower) e associou a prática a blocos de Carnaval, embora não houvesse indicativo do período ou local em que a filmagem foi feita.

Para 2019, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estimou a movimentação financeira de R$ 6,78 bilhões durante o Carnaval e a contratação de 23,4 mil trabalhadores temporários no período.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis para o Rio de Janeiro (Abih-RJ), 88% dos quartos disponíveis na rede hoteleira da cidade foram reservados para o período. A Abih São Paulo informa uma taxa de ocupação menor – 50% – mas a procura pela folia está crescendo. Há dez anos, segundo a entidade, a ocupação dos hotéis no Carnaval ficava em apenas 10%.

Segundo o cientista político Cláudio Couto, da Fundação Getulio Vargas (FGV), esse tipo de dado não influi para Bolsonaro, da mesma maneira que o presidente não levou em conta a importância dos mercados árabes para a exportação de carne brasileira ao insistir na ideia de transferir a embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém.

“O Brasil é um dos maiores exportadores de carne do mundo, 30% é para países islâmicos. Ele decide mudar a embaixada para Jerusalém. Ou seja, não tem muita racionalidade [no processo decisório dele]. São tantas coisas grotescas feitas pelo governo que essa não chega a ser uma surpresa. É a característica dele”, comenta.

Para o cientista político, Bolsonaro pode ter reagido de forma passional às paródias e xingamentos de que foi vítima no Carnaval. “Uma das coisas sintomáticas acho que foi a imensa vaia ao boneco em Olinda, o arremesso de objetos. E talvez ele tenha se ressentido disso”, acredita.

“Não é novidade isso, o Carnaval escarnecer dos políticos, da situação do país. É uma característica da festa”, acrescenta ele, ressaltando, no entanto, que considera o governo Bolsonaro recente para ser alvo de insatisfação tão generalizada.

Couto,  adepto da ideia de que o filho caçula do presidente, o vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro, tuíta por ele, destaca que a atividade na conta do presidente cresceu bastante nos últimos dias.

“Ele vinha soltando coisas de mais impacto. Teve a questão da Lava Jato da Educação. Esse talvez tenha sido o ápice. Talvez tenha muito do Carlos aí, mas com o beneplácito do pai. Desde o episódio do [Gustavo] Bebianno [ex-ministro da Secretaria de Governo de Bolsonaro, demitido após a intervenção de Carlos], ficou claro o apoio do pai às postagens dele.”


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