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19 de julho de 2019, 22h13

Após ataque de Bolsonaro, Jornal Nacional divulga nota de apoio a Miriam Leitão

Emissora, no entanto, fez questão de criticar o PT, que não teve nenhuma ligação com a fake news disparada pelo presidente, para não ficar apenas na crítica a Bolsonaro

Foto: Reprodução

Depois do ataque de Jair Bolsonaro a Miriam leitão, jornalista do grupo Globo, nesta sexta-feira (19), no qual ele afirmou que a jornalista mente ao dizer que foi torturada durante a ditadura militar, o “Jornal Nacional”, principal jornalístico da Globo, saiu em defesa da profissional.

Ao final da edição desta sexta-feira (19), a apresentadora Renata Vasconcellos leu uma nota oficial da emissora, em repúdio às afirmações de Bolsonaro.

No entanto, para não perder o costume, a Globo aproveitou a resposta a Bolsonaro para criticar o PT, que não teve envolvimento algum na fake news divulgada pelo presidente.

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Veja abaixo a íntegra da nota de repúdio da Globo:

“O presidente Jair Bolsonaro recebeu hoje um grupo de jornalistas estrangeiros para um café da manhã. Os jornalistas cobraram do presidente um comentário sobre o ato de intolerância de que foi vítima a jornalista Miriam Leitão, no fim de semana.

Miriam e o marido, Sérgio Abranches, participariam de uma feira literária em Jaraguá do Sul, Santa Catarina. Em redes sociais foi organizado um movimento de ataques e insultos à jornalista, cuja postura de absoluta independência foi tratada como um posicionamento político de esquerda e de oposição ao governo Bolsonaro.

Em resposta aos correspondentes internacionais, o presidente Jair Bolsonaro disse que sempre foi a favor da liberdade de imprensa e que críticas devem ser aceitas numa democracia.

Mas depois afirmou que Miriam Leitão foi presa quando estava indo para a Guerrilha do Araguaia para tentar impor uma ditadura no Brasil. E repetiu duas vezes que Miriam mentiu sobre ter sido torturada e vítima de abuso em instalações militares durante a ditadura militar que governava o país então.

Essas afirmações do presidente causam profunda indignação e merecem absoluto repúdio. Em defesa da verdade histórica e da honra da jornalista Miriam Leitão, é preciso dizer com todas as letras que não é a jornalista quem mente.

Miriam Leitão nunca participou ou quis participar da luta armada. À época militante do PCdoB, Miriam atuou em atividades de propaganda. Ela foi presa e torturada grávida aos 19 anos, quando estava detida no 38º Batalhão de Infantaria, em Vitória.

No auge da ditadura de 64, em 1973, Miriam denunciou a tortura perante a primeira auditoria da Aeronáutica no Rio, enfrentando todos os riscos que isso representava na época. Narrou seu sofrimento aos militares e ao juiz auditor. E esse relato consta dos autos para quem quiser pesquisar.

A jornalista foi julgada e absolvida de todas as acusações formuladas contra ela pela ditadura. A absolvição se deu em todas as instâncias.

É importante ressaltar que Miriam Leitão, ao longo dos governos do Partido dos Trabalhadores foi também alvo constante de ataques. Não questionaram como agora o sofrimento porque passou na ditadura, mas a ofenderam em sua honra pessoal e profissional.

Em discursos do ex-presidente Lula em palanques e até mesmo a bordo de aviões de carreira, quando Miriam Leitão ouviu insultos e ofensas por parte de militantes petistas, que então a chamavam e neoliberal e direitista.

Esses insultos, no passado ou agora em sinais trocados, apenas demonstram a maior das virtudes de Miriam como profissional: a independência em relação a governos, sejam de esquerda ou de direita ou de qualquer tipo.

A Globo aplaude essa independência, pedra de toque do jornalismo profissional e se solidariza com Miriam Leitão”.

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