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10 de março de 2019, 15h50

Autor suíço do fake “kit gay” ironiza “Bolsonaro espermatozóide”: “Já dava medo”

Tiragem do livro "Aparelho Sexual e Cia." mais que dobrou no Brasil após "promoção" por Jair Bolsonaro, que mostrou a publicação no Jornal Nacional

Bolsonaro mostra o livro no JN e autor ironiza em entrevista (Reprodução)

Em entrevista concedida em Genebra, na Suíça, ao jornalista Jamil Chade para o portal UOL, publicada neste domingo (10), o cartunista Philippe Chappuis ironizou o presidente Jair Bolsonaro (PSC), que ajudou a impulsionar no Brasil seu livro “Aparelho Sexual e Cia.”, chamando-o de “kit gay”.

O autor, que é conhecido como Zep, fez um desenho de um espermatozoide como a cara do detrator de sua obra, identificado como “Uma foto de Bolsonaro muito, muito jovem”.

A imagem é observada pelo personagem Titeuf – o garoto presente no livro de Chappuis –, que diz: “Ele já dava medo”. O cartunista negou que o falso “kit gay” faça apologia à homossexualidade. Ao tema, são dedicadas apenas cinco linhas.

“Ele é um especialista da fake news. Ele foi a um programa de TV com esse guia, como se fosse um elemento importante de seu programa”, disse Zep, ao comentar o episódio em que Bolsonaro exibiu seu livro em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, durante a campanha presidencial.

A página mostrada pelo então candidato, aliás, continha corpos de um homem e de uma mulher: “É […] muito heterossexual”, brincou o autor.

Na entrevista, Zep explicou que sequer discute o mérito da homossexualidade em “Aparelho Sexual e Cia.”, mas tenta tranquilizar crianças que se sintam atraídas por colegas do mesmo sexo – mesmo em razão da confusão de sentimentos como a amizade –, dizendo a elas que não são “anormais”.

O autor conta ainda que a tiragem de seu livro no Brasil saltou de 5 mil para 12 mil após a “promoção” por Bolsonaro em rede nacional. Zep pontuou que o maior propósito da obra é sanar dúvidas que já permeiam as mentes das crianças, fazendo frente à imposição de tabus hipócritas, que “abre um terreno para perigos como a pedofilia”.

Ele declarou ainda que, se esses assuntos não foram adequadamente abordados, a pornografia – livremente disponível na internet – torna-se a única fonte de informação sobre sexualidade.

Ainda sobre Bolsonaro, Zep disse ter se assustado quando soube, por meio de seu filho, que passava uma temporada no Brasil, de que o político reacionário que há anos bradava contra seu livro tinha chances de se tornar presidente do País: “Eu pensei: não é possível? Mas falamos a mesma coisa de (Donald) Trump”.

Leia a reportagem na íntegra.

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