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28 de agosto de 2018, 09h46

Banqueiros criam seu partido e lançam Amoêdo candidato

Preocupados pelo fato da Lava Jato ter atingido em cheio os principais caciques tucanos, os banqueiros temem ficar sem uma representação capaz de disputar com chances reais a eleição presidencial em 2018 e apoiam Amoêdo

João Amoedo. Reprodução/TV Cultura

Artigo produzido pelo Sindicato dos Bancário do Rio de Janeiro, em 2016 e atualizado neste ano, aponta como o setor financeiro resolveu criar a sua própria legenda. Confira a seguir o texto reproduzido na íntegra, e atual diante do cenário da disputa eleitoral, com o candidato à presidência do Partido Novo, João Amôedo, crescendo nas pesquisas e nas redes sociais.

Itaú cria seu partido e quer disputar a presidência

Segundo matéria do Valor Econômico, grupo Itaú Unibanco está por trás do financiamento do Partido Novo

Do Sindicato dos Bancários do Rio

A influência dos banqueiros na política financiando partidos no Brasil, especialmente àqueles que têm maior chances de vencer uma eleição, não é novidade. Mas a participação direta deles na vida partidária mostra que o setor financeiro pretende consolidar ainda mais a sua hegemonia no país. Ter o dono do banco virtual Original, Henrique Meireles, à frente do Ministério da Fazenda do governo Temer, e o sócio e executivo do Itaú Illan Goldfajn na direção do Banco Central não parece ser o suficiente para as ambições e pretensões dos banqueiros. Eles querem mais.

Preocupados pelo fato de as denúncias da operação Lavo Jato terem atingido em cheio os principais caciques tucanos (Aécio Neves, José Serra e Fernando Henrique Cardoso), os banqueiros temem ficar sem uma representação partidária capaz de disputar com chances reais a eleição presidencial em 2018.

Em entrevista à imprensa, Fábio Barbosa, que chegou a ser sondado para se candidatar à Prefeitura de São Paulo ainda este ano, deixa claro os ideais do Partido Novo. Por trás do discurso moralista estão velhas ideias neoliberais, como: o mercado e não o estado “como provedor do bem-estar social”; a redução dos gastos públicos em políticas sociais; e o discurso de que é a “livre iniciativa” (o grande capital) é que pode garantir a “igualdade de oportunidades” e a “inclusão social”.

“O partido deixa claro que tem lado: o do mercado, do grande capital, dos interesses do sistema financeiro e dos especuladores, dos que defendem a redução de gastos públicos na área social e os ataques aos direitos dos trabalhadores e querem privatizar tudo. Afinal não é isso que Temer tem feito? O que eles chamam de avanço é a política mais atrasada e reacionária”, disse a presidenta do Sindicato dos Bancários do Rio, Adriana Nalesso.

Quem financia?
Não é por acaso que os maiores financiadores da “nova” sigla, segundo matéria publicada no Valor Econômico, são do grupo Itaú Unibanco. Sem lideranças e alternativas para vencer as eleições de 2018, parece que o Itaú e todo o sistema financeiro resolveram criar sua própria legenda. E, para driblar a atual legislação que proíbe financiamento de pessoa jurídica aos partidos, os caciques do banco Itaú bancam, em peso, os custos da “nova” agremiação.

Os financiadores do novo partido – João Dionísio Amoêdo (ex-dono do BBA e ex-diretor do Itaú): R$4,5 milhões; Jayme Garfinkel (fundador e acionista da Porto Seguro): R$250 mil; Cecília Socupira (filha do dono da 3G Caítal, do grupo Itaú): R$250 mil; Pedro Moreira Salles (Presidente do conselho do Itaú Unibanco): R$150 mil; Eduardo Mazzilli (vice-presidente do Itaú): R$100 mil; Fernão Bracher (fundador do BBA, comprado pelo Itaú): R$50 mil; Israel Vainboim (ex-presidente do Unibanco): R$25 mil e Fábio Barbosa Ex-presidente do Santander e presidente da Itaú Social): R$15 mil.

O povo precisa abrir o olho. O “novo” partido tem velhos figurões do grande capital e ideias antigas e reacionárias do século XVIII.
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