Bolsonaro ameaça STF e Arthur Lira: “O que estamos vendo não vai se concretizar”

O presidente protestou contra a possibilidade de impeachment e deu a entender que só aceitará vitória de Lula em 2022 se voto for "auditável"

Visivelmente irritado por conta da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de reconhecer a incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba nos casos envolvendo o ex-presidente Lula e anular as condenações contra o ex-líder sindical, o presidente Jair Bolsonaro ameaçou o STF e a Câmara dos Deputados ao comentar sobre uma possível abertura de processo de impeachment.

“‘Carmen Lúcia dá 5 dias para o presidente da Câmara, Arthur Lira, explicar por que não abriu processo de impeachment contra Bolsonaro’. Realmente, alguma coisa de muito errado vem acontecendo há muito tempo no Brasil. Vamos ver qual o encaminhamento que o Arthur Lira vai dar, se vai abrir processo ou não e a gente vai se encontrar para discutir. Eu não quero me antecipar, mas só deus me tira da cadeira presidencial. E me tira tirando a minha vida. Fora isso, o que nós estamos vendo acontecer no Brasil não vai se concretizar. Mas não vai mesmo!”, disse em tom de ameaça. Ele comentou sobre a decisão da magistrada de pedir para Lira se manifestar sobre o tema.

Depois de fazer um comparação com a anulação das condenações de Lula com um “filme de caubói”, Bolsonaro disse o seguinte: “O Lula então tá elegível pra 22. Bem, o Brasil não quebrou no último ano, penúltimo ano, ou no governo A, B ou C. O Brasil passa por uma situação complicada há décadas. Alguns querem que eu resolva, limpe a casa de uma hora pra outra. Não quero me intitular como faxineiro do Brasil, que vai resolver os problemas do Brasil, o Salvador da Pátria. Acredito que estou fazendo a coisa certa”.

O presidente fez várias críticas aos governos do PT durante a transmissão e deu a entender que só aceitaria uma vitória do ex-mandatário se os votos forem “auditáveis”.

“Se o Lula voltar, pelo voto direto, pelo voto auditável, tudo bem… Agora veja qual vai ser o futuro do Brasil, o tipo de gente que ele vai trazer para dentro da presidência. Inclusive, se o Lula for eleito, em março de 2023, três meses depois, ele vai escolher mais 2 ministros para o STF, tá ok, pessoal? A conclusão cabe a todos vocês. Não digo que serei candidato ou que sou o melhor do mundo”, afirmou.

“Estão previstas eleições em 2022. O Lula vai ser candidato. Se me tira de combate, quem seria o outro que iria com o Lula pro segundo turno? É só fazer um raciocínio que vocês vão entender qual é o futuro. Vejam qual o futuro reserva para vocês essa decisão do STF dando, praticamente… Anulando as condenações do Lula e tornando-o, então, elegível. Mais duas vagas no Supremo para o PT”, completou.

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Lucas Rocha

Lucas Rocha é formado em jornalismo pela Escola de Comunicação da UFRJ e cursa mestrado em Políticas Públicas na FLACSO Brasil. Carioca, apaixonado por carnaval e latino-americanista convicto, é repórter da sucursal do Rio de Janeiro da Revista Fórum e apresentador do programa Fórum América Latina