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16 de novembro de 2019, 08h10

Bolsonaro divide opiniões entre herdeiros de dom Pedro II

Preterido por Bolsonaro como vice após dossiê sobre "suruba gay" e agressão a moradores de rua, Luiz Phillipe de Orleans e Bragança pertence à linhagem da família real que acredita no capitão, no negacionismo climático e na volta ao poder no Brasil. Mas há na família uma linhagem divergente que vê o governo atual como autocrático

Bolsonaro em live com o "príncipe" Luis Philippe de Orleans e Bragança (Reprodução)

Como parte de seus ministros e filhos, Jair Bolsonaro é um saudosista da monarquia brasileira, a ponto de se arrepender em não ter colocado como vice em sua chapa o hoje deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PSL-SP). Bolsonaro teria desistido do “casamento” com o príncipe após relatos de um suposto dossiê que mostraria Luiz Philippe participando de uma “suruba gay” e batendo em moradores de rua.

A recíproca da família real, no entanto, não é verdadeira. A linhagem da família vinda de dom Luiz, segundo filho da Princesa Isabel e neto de dom Pedro II, que é ligada ao movimento Tradição, Família e Propriedade (TFP), na figura de dom Bertrand de Orleans e Bragança apoia Bolsonaro e suas ideias conservadoras e até conspiratórias sobre o meio ambiente.

Por outro lado, João Henrique de Orleans e Bragança, neto do filho mais velho da princesa Isabel e do conde d’Eu, d. Pedro de Alcântara de Orleans e Bragança – que abdicou da coroa para se casar com a plebeia Elizabeth Dobrzenicz, quarta filha de um conde, sem título nobre para um príncipe -, vê no governo Bolsonaro “sérios indícios de autoritarismo”.

“Isso me preocupa muito, porque o que vai nos conduzir a qualquer melhora social, a mais educação, menos desigualdade é democracia. Não tem outra maneira”, diz dom Joãozinho, como é conhecido, fotógrafo e empresário, mais conhecido pelos jantares que promove em Paraty (RJ) em época de Flip, a festa literária realizada anualmente na cidade litorânea, onde mora em um casa perto do mar construída em 1850 que é conhecida como o “sobrado do príncipe”.

Negacionista
Tio de Luiz Philippe, dom Bertrand foi às ruas apoiar o impeachment da petista Dilma Roussef e vê em Bolsonaro a “última reação contra o PT”. “Estão fazendo uma série de reformas que nós consideramos indispensáveis”.

Negacionista sobre os efeitos da devastação do meio ambiente nas mudanças climáticas, dom Bertrand participou de reuniões críticas ao Sínodo da Amazônia, convocado pelo papa Francisco no Vaticano, e denunciou a tentativa de “golpe socialista” que seria o objetivo do encontro católico.

Presente no evento conservador organizado por Eduardo Bolsonaro, o bolsonarista monárquico, que ainda sonha com a volta do reinado no Brasil, também nega o genocídio dos indígenas durante o processo de colonização.

Com relação ao genocídio dos índios, eu respondia: não houve genocídio dos índios. No Brasil, as classes, os povos foram se misturando. Nós tivemos miscigenação”, afirmou. “Nós não temos problemas raciais. Graças à caridade cristã que inspirava nossos primeiros colonizadores.”

Com informações da Folha de S.Paulo

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