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29 de setembro de 2018, 10h56

Bolsonaro diz a Datena que não aceita resultado que não seja a sua vitória. Vídeo

“É como dizer: ‘ou eu ganho ou viro a mesa’. Todos os candidatos devem aceitar o resultado das urnas”, disse cientista político

Bolsonaro dá entrevista para Datena. Foto: Reprodução

Em entrevista ao jornalista José Luiz Datena, no Hospital Albert Einstein, onde está internado, o candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL), perguntado se os militares aceitariam um resultado das eleições que não fosse a sua vitória, respondeu que não pode responder pelos outros, mas que ele não aceita um resultado das eleições que não seja a sua vitória.

“Eu não posso falar pelos comandantes militares. Respeito todos eles. Pelo que eu vejo nas ruas, eu não aceito resultado das eleições diferente da minha eleição.”

A frase gerou várias críticas. Em matéria sobre o assunto no jornal O Globo, Claudio Couto, professor de ciência política da Fundação Getulio Vargas de São Paulo (FGV-SP), classificou a fala do candidato do PSL como “desapreço pela democracia”.

“Isso significa o não reconhecimento do resultado que não lhe satisfaça. Significa que o desejo dele define o que é que resultado legítimo. É como dizer: ‘ou eu ganho ou viro a mesa’. Todos os candidatos devem aceitar o resultado das urnas. Essa declaração poderia ser recebida até como ameaça. O assustador é isso ser falado do candidato que lidera as intenções de voto”, disse.

Já David Fleischer, cientista político da Universidade de Brasília, afirmou que falar em “ruas” é genérico.

“Essa declaração é de quem não aceita perder. O Brasil tem mais de cinco mil municípios e umas 300 cidades grandes. Ele não pode afirmar o que está acontecendo nas ruas. ‘As ruas’ é muito genérico”, afirmou o professor.

Mandou vice parar de falar

Bolsonaro comentou ainda sobre as declarações de seu vice, general Mourão: “Ele demonstrou desconhecimento da Constituição, pois agride o trabalhador. Falei para ele ficar quieto, parar de falar, porque estava atrapalhando. Vice não apita nada, mas atrapalha muito”.

Em relação à teoria da conspiração de que o atentado que sofreu teve motivação política, tese desmontada pelo Polícia Federal, Bolsonaro fez insinuações: “Não quero acusar ninguém, mas o delegado que cuida do caso trabalhou por dois anos com o Fernando Pimentel (governador de Minas Gerais pelo PT). Não quero fazer um pré-julgamento”, disse, para emendar em seguida: “O grande acerto do Centrão e do PT é o indulto para Lula”.

O militar voltou a defender a opinião de que as urnas eletrônicas não são confiáveis e diz que está pronto para o segundo turno. Contudo, revelou que, segundo ordens dos médicos, ele não deve ir para a rua antes do dia 10 de outubro. “Não pretendo descumprir recomendações médicas. Pelo menos em casa eu fico mais ativo nas redes sociais”.

 


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