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17 de fevereiro de 2019, 18h50

Bolsonaro é adjetivo

Os generais e coronéis no governo são tão mediocremente bolsonaros quanto o vice, quanto Damares, Moro ou Araújo, tão bolsonaros quanto os milhões que votaram na proposta que hoje adjetiva o Brasil

Foto: Agência Brasil

Por Wilson Ramos Filho*

Vamos falar sério?

Se o Bolsonaro cair, se o Mourão cair, se todo o Congresso renunciar (incluam outros “se”, o desejo ainda é livre) o problema continuará o mesmo:

  1. Os juízes seguirão judicando e destruindo a democracia;
  2. O MP continuará o mesmo;
  3. Os médicos, os advogados, os motoristas de táxi não mudarão sua forma de ver o mundo;
  4. Os empresários permanecerão medíocres;
  5. Os padres e os pastores pregarão o que sempre pregaram;
  6. Os meios de comunicação, monopolizados;
  7. As classes médias ficarão ainda mais reacionárias;
  8. Quem acreditou em kit-gay, mamadeira fálica, terra-plana, acreditará em qualquer outra mentira;
  9. Os barnabés insistirão na defesa da meritocracia e dos privilégios conquistados “por concurso”;
  10. A esquerda se engalfinhará em inesgotáveis disputas exigindo autocríticas alheias … etc … etc.

A lista de abominações não tem fim. Pensemos sobre isso.

O Brasil já não é o mesmo. Vivemos em um país bolsonaro. Sim, de nome próprio, substantivo, bolsonaro agora é adjetivo.

O resultado eleitoral demonstrou que a maioria da população brasileira é bolsonara, tornou-se bolsonara. Certo, nem todos os 57 milhões que votaram nesta horrenda “maneira de existir” são pessoas bolsonaras, mas a maioria delas, pelo menos em parte, é muito parecida com o Coiso e os três coisinhos, com Damares, com Moro, com Bebianno, com Queiroz, com os mais de 50 milicos que comandam o país, com cada um dos medíocres que ocupam os principais cargos no Executivo. A maioria dos eleitores do Coiso não rejeita a ideologia que ele encarna. São milhões de Bolsonaros, alguns até mais bolsonaros que o próprio Coiso ou seu vice.

Temos hoje no Brasil um povo bolsonaro. Isso passa, sempre passa. O adjetivo não é eterno. Mas demora um pouco. Controlemos nossa ansiedade. O que teve início nas “heroicas jornadas de junho de 2013” está longe do fim.

Para que haja condições subjetivas para a transformação dessa horrorosa sociedade que nos oprime e entristece, são ainda necessárias algumas condições objetivas e que estas sejam percebidas como insuportáveis. Os bolsonaros, para nosso otimismo, parecem ter pressa. Pior seria se viessem com moderação. Afortunadamente moderação bolsonara é um oxímoro que, ignorantes, eles desconhecem.

Os generais e coronéis no governo são tão mediocremente bolsonaros quanto o vice, quanto Damares, Moro ou Araújo, tão bolsonaros quanto os milhões que votaram na proposta que hoje adjetiva o Brasil.

*Wilson Ramos Filho (Xixo) é doutor e professor universitário (UFPR/UFRJ)

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