Bolsonaro irá vincular Coaf ao Banco Central para livrar órgão do “jogo político”

Para Bolsonaro, medida busca isentar órgão do "jogo político", pois "tudo onde tem política, mesmo sendo bem-intencionado, sempre sofre pressões de um lado ou de outro"

O presidente Jair Bolsonaro (PSL-RJ) declarou nesta sexta-feira (9) que o governo avalia tirar o Conselho de Atividades Financeiras (Coaf) do Ministério da Economia e passá-lo ao Banco Central. A intenção de Bolsonaro é livrar o órgão do “jogo político” que, para ele, “tudo onde tem política, mesmo sendo bem-intencionado, sempre sofre pressões de um lado ou de outro”.

O órgão, que atua em conjunto com outras instituições – como a Receita Federal, a Polícia Federal e o Banco Central -, tem como principal objetivo a identificação de operações suspeitas a auxiliar no combate a crimes, como lavagem de dinheiro. O caso mais polêmico envolvendo o órgão no governo de Bolsonaro foi com a identificação pelo Coaf de movimentações atípicas do ex-assessor de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz. No entanto, o presidente do STF decidiu suspender as investigações do caso por entender que o Coaf não poderia ter compartilhado essas informações com promotores sem prévia autorização judicial.

Segundo Bolsonaro, estando no Banco Central, o Coaf teria condições de fazer o seu trabalho sem qualquer suspeição de favorecimento político”.

A mudança ainda precisa do aval do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. As declarações foram dadas em entrevista à imprensa em frente ao Palácio da Alvorada. O presidente da República estava com o ministro Sergio Moro, que o acompanha na cerimônia de promoção de oficiais generais no Planalto ainda durante a manhã.

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Luisa Fragão

Jornalista.