O que o brasileiro pensa?
11 de março de 2020, 10h52

Caixa-preta: BNDES pode usar dinheiro de vendas de ações da Petrobras para financiar setor privado durante a crise

Reportagem do Valor Econômico - jornal da família Marinho que propaga a tese neoliberal na Economia - diz que dinheiro do BNDES pode ser usado pelas empresas "para capital de giro, alongamento de dívidas e concessão de maiores prazos de carência nos empréstimos"

Paulo Guedes no BNDES (Reprodução/TV Globo)

Criticado duramente por governistas e liberais, como o ministro da Economia, Paulo Guedes, por fomentar a indústria nacional durante a crise de 2008, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pode dispor até R$ 100 bilhões de suas reservas de segurança para apoiar o setor privado no aprofundamento da crise econômica.

Desse valor, cerca de R$ 22 bilhões seriam da entrada de dinheiro em caixa que se deu nos últimos meses com a venda de ações ordinárias da Petrobras.

Segundo reportagem do Valor Econômico – jornal da família Marinho que propaga a tese neoliberal na Economia -, “essa folga de caixa demonstra, segundo economistas, que existe espaço para uma atuação mais forte dos bancos públicos (BNDES, Caixa e Banco do Brasil) no crédito”.

Segundo o jornal, o dinheiro do banco estatal pode ser usado pelas empresas “para capital de giro, alongamento de dívidas e concessão de maiores prazos de carência nos empréstimos”.

Para defender a tese, o jornal da família Marinho escalou Ricardo Ramos, que foi diretor do banco no governo de Michel Temer e concorre agora a uma vaga no conselho de administração representando os empregados. ““Capital de giro agora é transfusão de sangue para as empresas”, disse ele, defendendo a oferta de capital.

Otaviano Canuto, ex-diretor-executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, também defende a tese, ressaltando porém que isso deve ser feito “sem perder de vista a trajetória, o objetivo que foi desmontar o excessivo e brutal tamanho do banco”.

Novo
Os liberais do Partido Novo também defendem uma intervenção estatal no mercado diante da crise econômica. Em entrevista ao jornal, o deputado federal Alexis Fontayne (Novo-SP), disse não “ser contra a intervenção” e admite que nem sempre o mercado “resolve tudo”, como prega.

“Como liberal, a gente sempre acha que o mercado resolve, mas muitas vezes a consequência até o mercado resolver é mais dolorida do que fazer uma intervenção e depois acertar. Eu não sou contra [a intervenção]”, disse.

Para o parlamentar do Novo, Guedes poderia “abrir uma licença poética” para intervir na economia.

“Paulo Guedes teria de dar uma virada de mão, mas é circunstancial e ele teria como justificar isso. Seria como abrir uma licença poética para poder resolver um momento de liquidez imediata, de dólar disparando”


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum