Clã Bolsonaro vê relação entre quebras de sigilos de Carlos e 7 de Setembro

Justiça do Rio investiga supostos esquemas de funcionários fantasmas e rachadinhas no gabinete do vereador

A família do presidente Jair Bolsonaro se surpreendeu com as quebras dos sigilos bancário e fiscal do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) determinadas nesta terça-feira (31). A Justiça do Rio investiga o parlamentar por suposta contratação de funcionários fantasmas em seu gabinete.

Segundo o jornalista Fabio Murakawa, do Valor, a família Bolsonaro acredita que as quebras dos sigilos de Carlos são uma espécie de “reação do sistema” ou um “contra-ataque” diante dos atos golpistas convocados para o 7 de setembro. O Supremo Tribunal Federal (STF) é o principal alvo dos “patriotas” que vão às ruas pelo golpe.

A reportagem ainda aponta que o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ) e o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) já esperavam alguma reação contra o irmão.

Quebras de sigilos

Desde o início da investigação, essa é a primeira vez que o Ministério Público resolveu levantar informações sobre o filho 02 de Jair Bolsonaro. O MP tem informações de que a grande maioria dos funcionários de Carlos não trabalha no gabinete, o que é vedado pelo regimento interno da Câmara. A legislação obriga que assessores cumpram 40 horas mensais de trabalho, em regime presencial.

O MP cogita, pela primeira vez, a adoção de rachadinhas no gabinete. Rachadinha é o eufemismo usado para se referir ao crime previsto no artigo 312 do Código Penal Brasileiro, chamado de peculato, que ocorre quando agentes públicos ficam com dinheiro de funcionários de seus gabinetes, sendo estes “fantasmas” ou não.

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Lucas Rocha

Lucas Rocha é formado em jornalismo pela Escola de Comunicação da UFRJ e cursa mestrado em Políticas Públicas na FLACSO Brasil. Carioca, apaixonado por carnaval e pela América Latina, é repórter da sucursal do Rio de Janeiro da Revista Fórum e apresentador do programa Fórum Global

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