CNBB inicia campanha contra desmonte de políticas na Amazônia e carta de 152 bispos com críticas a Bolsonaro vai ao Papa

Em entrevista à agência de notícias do Vaticano, presidente da CNBB, dom Walmor Oliveira, diz que campanha "Amazonia-te" é contra "violação da legislação de proteção ambiental pelo governo". Carta contra economia "que mata" de Guedes vai ao Papa

A Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou nesta segunda-feira (27) a campanha Amazonia-te contra o genocídio dos povos indígenas pela inação do governo federal contra a Covid-19 e “a violação sistemática da legislação de proteção ambiental e desmonte dos órgãos públicos, com atuação intencional do governo para desregulamentar e ampliar – de forma ilegal – a atuação das mineradoras, agronegócio, madeireiras e pecuaristas na região”.

Leia também: Em “Carta ao Povo de Deus”, 152 bispos criticam Bolsonaro e “economia que mata” de Guedes; leia íntegra

O lançamento da campanha aconteceu um dia após o vazamento da “Carta ao Povo de Deus”, assinada por 152 bispos brasileiros com duras críticas ao governo Jair Bolsonaro e a política econômica “que mata” do ministro da Economia, Paulo Guedes, que foi encaminhada ao papa Francisco, no Vaticano, e a dom João Braz de Avis, cardeal brasileiro que integra a Congregação para o Clero.

A CNBB, no entanto, ainda não analisou o documento e há um temor de que o setor conservador da Igreja Católica impeça que ela apoie as fortes críticas a Jair Bolsonaro.

Amazonia-te
A campanha Amoziana-te, lançada oficialmente nesta segunda, já ganhou destaque no Vatican News, agência oficial de notícias do Vaticano, que fez uma entrevista com o presidente da CNBB, dom Walmor Oliveira de Azevedo, sobre o assunto.

“Nós queremos, nesse convite a ‘amazonizar’, superar a violação sistemática da legislação de proteção ambiental e o desmonte dos órgãos públicos com atuação do governo para desregulamentar e ampliar de forma ilegal a atuação das mineradoras, agronegócio, madeireiras e pecuaristas na região”, afirmou o arcebispo de Belo Horizonte, que preside a confederação.

No lançamento da campanha, o padre Dario Bossi destacou o caráter de denúncia internacional da ação.

“Durante a campanha serão vinculados por três meses pequenos vídeos de três minutos, dando voz as vozes da comunidade da Amazônia frente a emergência sanitária, na luta contra as queimadas, nas denúncias contra mineração e extrativismo predatório. Os vídeos serão traduzidos em espanhol e em inglês para circular internacionalmente”, afirmou em live.

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Plinio Teodoro

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