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23 de outubro de 2018, 17h02

CNMP abre investigação contra procuradora que pediu intervenção militar no STF

Conselho Nacional do Ministério Público decidiu abrir procedimento disciplinar contra Camila Gomes Teixeira, que, via Twitter, pediu que generais expulsassem os ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski do Supremo

Foto: Divulgação/STF

O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) resolveu nesta terça-feira (23) abrir procedimento disciplinar contra Camila Gomes Teixeira, procuradora de Justiça de Minas Gerais. Em publicações, via Twitter, ela pediu que generais, em uma intervenção militar, expulsassem os ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo informações de Felipe Pontes, da Agência Brasil.

Em seu perfil, no qual usava o nome Camila Moro, a procuradora escreveu: “Generais, saiam do Twitter e posicionem seus homens no entorno do STF, até que Gilmar Mendes, Lewandowski e Dias Toffoli entreguem suas togas. Marquem dia que vamos juntos: Brasileiros + Exército salvaremos a Lava Jato!”, diz a primeira postagem.

Na segunda, ela afirma: “O Brasil cansa, dá nervoso, dá dor no estômago, dá diarreia, dá dor na nuca. Que venha intervenção militar e exploda o STF e Congresso de vez!”. Segundo consta nos autos do processo, as publicações foram feitas em abril de 2018.

Por unanimidade, o plenário do CNMP decidiu que o procedimento disciplinar definirá se a procuradora deixou de manter conduta pública ilibada, de zelar pelo prestígio da Justiça e pela dignidade de suas funções e de tratar magistrado com a urbanidade devida.

Luciano Mariz Maia, vice-procurador-geral da República, presidiu a sessão do CNMP e declarou que as manifestações de Camila Teixeira foram de natureza “política, ideológica e fascista”. “Parece que ela dormiu na década de 60 e acordou em 2018 como se fosse da noite para o dia. Uma manifestação anacrônica, que despreza seu tempo. Isso representa um amadorismo no processo civilizatório”, destacou.

Na terceira postagem, a procuradora escreveu que o ministro Marco Aurélio Mello, do STF, “não terá paz enquanto não soltar Lula” e solicitou: “Alô, generais, tomem uma atitude”.


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