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16 de janeiro de 2020, 09h37

Com perfil de lobista, Fábio Wajngarten se aproveitou da facada para se aproximar de Bolsonaro

Filho de um médico do Einstein, Wajngarten teria atuado para que o então candidato fosse transferido para o local

Fabio Wajngarten e Bolsonaro (Reprodução/Youtube)

O chefe da Secretaria Especial de Comunicação da Presidência da República (Secom), Fábio Wajngarten, pivô da nova crise que envolve o governo de Jair Bolsonaro (Sem Partido), divide opiniões no governo e na própria família Bolsonaro.

Ao rever a sua trajetória, fica evidente que ele se aproximou da família em um momento frágil – após o ataque com uma faca que Bolsonaro sofreu em Juiz de Fora. Filho de um médico do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, Wajngarten teria atuado para que o então candidato fosse transferido para o local.

Wajngarten teve acesso livre ao quarto de Bolsonaro durante os 23 dias de internação. Neste período, se aproximou de Carlos Bolsonaro. Depois da eleição, se manteve distante. O contato com o presidente e Carlos foi retomado quando Bolsonaro passou 17 dias hospitalizado para a retirada da bolsa de colostomia, entre janeiro e fevereiro de 2019.

Foi aí que começou a se desenhar a crise que culminou, dias depois, com a demissão de Bebianno, então ministro-chefe da Secretaria-Geral.

Wajngarten assumiu a Secom em abril do ano passado, com o apoio de Carlos Bolsonaro (PSC-RJ). A Secretaria de Governo, pasta a qual a Comunicação é subordinada, era comandada na época pelo ministro Carlos Alberto dos Santos Cruz, que, dois meses depois, deixou o governo em decorrência de atritos com Wajngarten e o filho do presidente.

Em conversas reservadas, o ex-ministro costuma dizer que o secretário tem “perfil de lobista.”

A atuação do secretário passou a ser criticada no final do ano passado pelo vereador Carlos Bolsonaro, seu aliado quando chegou ao cargo há dez meses.

Wajngarten também é próximo do advogado Frederick Wassef, que atua na defesa do senador Flávio Bolsonaro no caso envolvendo seu ex-asssessor Fabrício Queiroz e o suposto esquema de “rachadinha” no gabinete na Assembleia Legislativa do Rio.

Wassef, que se anuncia como um consultor jurídico da família Bolsonaro, apresentou, ainda durante a pré-campanha presidencial, Wajngarten, dono da empresa Controle da Concorrência, nome fantasia da FW Comunicação e Marketing, como um homem capaz de abrir portas em emissoras de televisão.

Mentira absurda

Em um primeiro momento, o Planalto tratou o escândalo envolvendo Wajngarten como “mentira absurda, ilação leviana”. Ao longo de toda a quarta-feira, no entanto, a pressão aumentou e integrantes do governo dizem que a postura agora é de cautela. Após a reunião no fim do dia, convocada às pressas pelo presidente Bolsonaro para que o secretário apresentasse documentos relativos à sua empresa, a ordem é esperar apuração dos fatos.

Bolsonaro foi alertado pelo ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Wagner Rosário, que se Wajngarten não fez declarações oficiais corretamente sobre vínculo com empresa, o único caminho é que ele peça para deixar o governo. Outros auxiliares diretos do presidente analisam os desdobramentos do caso e os possíveis arranhões para a imagem do governo.

Com informações do Globo

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