Crise no PSOL por conta de homenagem a Kim Jong-un pode levar à expulsão de Brizola Neto

PSOL divulgou nota afirmando que a moção apresentada pelo vereador "não foi construída coletivamente pela bancada e não representa a posição do partido"

Uma homenagem feita pelo vereador Leonel Brizola Neto (PSOL) à República Popular da Coreia, a Coreia do Norte, na Câmara do Rio, pode render a expulsão do parlamentar do partido. Embora tenha dito que concedeu Moção de Louvor e Reconhecimento ao embaixador do país no Brasil e ao povo coreano, e não ao Líder Supremo Kim Jong-Un, críticas contra ele seguem fortes nas redes sociais. Correligionários condenaram a postura e usuários do Twitter têm feito coro pela expulsão de Brizola Neto do PSOL.

“O PSOL decidiu ‘desautorizar’ o canalha do Leonel Brizola por sua homenagem a Kim Jong-un. Não é suficiente. Ou esse sujeito é expulso do partido, ou o PSOL demonstrará conivência e aceitação com esse sujeito torpe. PSOL!”, cobrou o youtuber Felipe Neto, após o partido afirmar que iria emitir nota contra a moção.

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Em seguida, o Diretório Municipal do PSOL publicou nota afirmando que “a homenagem foi concedida através de moção individual solicitada pelo parlamentar, a qual, segundo o Regimento da Câmara Municipal, não necessita de apoio, nem votação. Esta ação não foi construída coletivamente pela bancada e não representa a posição do partido”.

“O líder da Coreia do Norte é acusado de inúmeras violações de direitos, dentre elas, perseguições políticas, prisões arbitrárias e restrições às liberdades de expressão e de imprensa. O PSOL reafirma seu compromisso na defesa da democracia e dos direitos humanos”, diz ainda o texto.

Diversos parlamentares do PSOL criticaram o correligionário. “Nós do PSOL nunca defendemos o regime ditatorial da Coreia do Norte e a moção do vereador Brizola Neto não representa a opinião do nosso partido. Defendemos o socialismo e a liberdade e nenhum dos dois existe no país de Kim Jong-Un!”, declarou a deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS).

Parlamentares do Rio de Janeiro, como a deputada federal Talíria Petrone e os deputados federais David Miranda e Marcelo Freixo, pré-candidato à Prefeitura do Rio em 2020, também condenaram a atitude do vereador. “Respeito muito o vereador Leonel Brizola e o trabalho importante que ele realiza no Rio. Sua homenagem ao ditador norte-coreano foi uma manifestação individual, da qual eu discordo. Me oponho a todas as ditaduras porque a democracia é para mim um princípio inegociável”, disse Freixo.

A candidata à presidência nas eleições de 2014 pelo PSOL, Luciana Genro, também criticou Brizola Neto. “Discordo frontalmente da homenagem feita por Brizola Neto ao ditador da Coreia do Norte. Não representa a maioria do PSOL. Só uma esquerda fora da realidade apoia esse regime. Ali não tem nada de comunismo nos termos pensados por Marx. Nossa luta é por socialismo e liberdade!”, disparou.

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Em nota enviada à Fórum no início da tarde, o vereador Brizola Neto afirma que não se pode isolar e discriminar a Coreia do Norte e diz que a moção “foi motivada pelas conversas de paz estabelecidas na Península ao longo do ano de 2019”. “A unificação e desnuclearização da região é de interesse global. […] Com base na autodeterminação dos povos, é vital que tenhamos boas relações com Pyongyang e que possamos usar o histórico de paz e concórdia que o Brasil acumulou através dos tempos para contribuir nesse processo de pacificação”, disse.

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