Fórum Educação
28 de abril de 2020, 07h03

Dallagnol diz que com Dilma “nunca foi consumada qualquer ingerência” e traça cenário de caos com Bolsonaro

Dallagnol evitou dizer que se decepcionou com Bolsonaro, dizendo que não tinha expectativa em relação ao governo além da nomeação de Moro, e ressaltou que o combate à corrupção e interesses familiares são "irreconciliáveis"

Bolsonaro, Moro e Dallagnol (Montagem)

Responsável por vazamentos seletivos e relações promíscuas na condução da operação Lava Jato que levou o ex-presidente Lula à prisão, abriu caminho para a eleição de Jair Bolsonaro e alçou Sergio Moro ao Ministério da Justiça, o procurador Deltan Dallagnol traça um cenário de caos com a saída do ex-juiz do governo Jair Bolsonaro e afirma que nunca houve ingerência no trabalho da força-tarefa enquanto Dilma Rousseff (PT) esteve na Presidência.

“Não temos notícia de ingerência efetiva, embora aparentemente os ministros da Justiça da época tenham sido pressionados. Em 2016, por exemplo, a imprensa noticiou que o então ministro José Eduardo Martins Cardozo renunciou debaixo de fortes pressões para que interferisse na Polícia Federal, nas investigações envolvendo o ex-presidente Lula. Em seguida apareceu uma conversa telefônica interceptada pela Justiça, em que Lula cobrava um ‘papel de homem’ do novo ministro, Eugênio Aragão. Nesse caso, contudo, não houve evidências de que a pressão tivesse partido da então presidente e de que tenha se consumado qualquer interferência. Jamais admitiríamos isso naquela época, nem podemos admitir agora”, afirmou Dallagnol em entrevista a Ricardo Brandt e Fausto Macedo, no portal Estadão nesta terça-feira (28).

Ao avaliar a saída de Moro, que disse ter deixado o cargo após interferência política de Bolsonaro na Polícia Federal, o procurador traçou um cenário de caos, ainda mais com a nomeação de alguém próximo do clã presidencial, como se consumou nesta terça-feira, com a oficialização de Alexandre Ramagem como diretor-geral da corporação.

“É um risco para todas as investigações, especialmente aquelas contra poderosos. Se o dirigente da polícia conspirar para o direcionamento político ou o engavetamento de certas investigações, não haverá limites para pressões e ingerências indevidas. Além disso, o acesso a informações sigilosas pode prejudicar o resultado de medidas investigativas. Delegados que resistirem podem ser retirados dos cargos ou punidos com remoções. Inquéritos podem mudar de mãos. A polícia não tem a independência da Justiça e do Ministério Público”, afirmou.

Dallagnol evitou dizer que se decepcionou com Bolsonaro, dizendo que não tinha expectativa em relação ao governo, além da nomeação de Moro, e ressaltou que o combate à corrupção e interesses familiares são “irreconciliáveis”, relacionando aos casos envolvendo os filhos do presidentes.

“Não acredito que se possa falar que houvesse um compromisso com o combate à corrupção. Além disso, parece haver interesses familiares que são irreconciliáveis em muitos aspectos com um combate à corrupção mais efetivo, como mostrou a defesa pelo presidente da decisão do STF, que suspendeu investigações com informações do Coaf em todo País, o que beneficiava o seu filho, mas prejudicava centenas de casos e operações contra crimes graves”, afirmou.

Leia a entrevista na íntegra.


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