Dez deputados do PSB e 5 do PDT votaram a favor da autonomia do BC; Tabata Amaral entre eles

Parlamentares contrariaram a orientação de seus partidos e votaram a favor do regime de urgência do projeto em meio à pandemia

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (9), por 363 votos a 109, o requerimento de urgência pela autonomia do Banco Central. De acordo com o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), ao menos 15 parlamentares de partidos de oposição votaram a favor da medida, apesar da orientação contrária de seus líderes.

Entre esses deputados, segundo levantamento de Glauber Braga, cinco são do PDT e 10 do PSB. Em relação à primeira legenda, destaca-se o voto favorável de Tabata Amaral, que já tem um histórico de contrariar decisões do próprio partido em votações na Câmara.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Tabata defendeu o seu voto alegando que a autonomia do Banco Central é um tema que desperta “muitas paixões” e “desinformação nas redes sociais”. Ainda, de acordo com ela, a instituição sempre foi refém do setor financeiro e isso não se agravaria com a aprovação do projeto.

Tabata afirma ainda que a autonomia é uma prática comum em outros países. “Previne que sejamos vítimas de governos autoritários e populistas de governos de esquerda ou de direita”, disse.

A imposição da pauta, em meio a assuntos urgentes da pandemia do coronavírus, como a retomada do auxílio emergencial, foi rechaçada pela grande maioria da oposição, que tentará obstruir o tema.

Na votação de terça, parlamentares chegaram a apresentar questões de ordem, mas as mesmas foram rejeitadas pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), eleito com apoio de Jair Bolsonaro (Sem Partido).

 O deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP) foi um dos que fez críticas ao projeto. “O que estamos fazendo aqui é exatamente tirar o poder do presidente da República de fazer política monetária”, defendeu ao jornal Estado de S.Paulo. “O PT vota não a este projeto absurdo”, completou.

Para a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), a proposta vai beneficiar apenas os donos de bancos privados. “Autonomia de quem? São nove diretores que decidem política de juros, juros que a classe média paga em patamares assustadoramente altos. Vão trabalhar sem nenhuma ingerência, controle e fiscalização do poder público”, afirmou.

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O projeto de autoria do Senado define, entre outras questões, mandatos do presidente e de diretores do BC com vigência não coincidente com o mandato de presidente da República.

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Luisa Fragão

Jornalista.

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