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18 de fevereiro de 2020, 10h01

Direção da Petrobras coloca população próxima a refinarias em risco, alertam petroleiros

Em entrevista à Fórum, integrantes da FUP denunciam o "cárcere privado" de trabalhadores que são obrigados a operar refinarias durante a greve

Integrantes da FUP em entrevista à Fórum (Reprodução/YouTube)

Em entrevista ao vivo à Fórum nesta terça-feira (18), integrantes da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e da Comissão Permanente de Negociação, que ocupa uma das salas do Edifício Sede da Petrobras (Edise) desde o dia 31 de janeiro, comentaram sobre o risco que a direção da estatal coloca aos trabalhadores e à população no geral ao obrigar funcionários a operarem refinarias durante a greve.

Uma das lideranças do movimento, Cibele Vieira, explicou na entrevista que, durante a greve, as refinariam devem operar com cinco grupos de contingência que se revesam entre si. No entanto, a Petrobras não conseguiu formar esses grupos em grande parte das unidades, obrigando trabalhadores a permanecerem na refinaria contra a vontade deles.

“O que aconteceu em Cubatão é que não conseguiram montar a equipe e a direção obrigou os trabalhadores a permanecerem lá, operando a refinaria, e aí ficou o que a gente chama de ‘cárcere privado’: A empresa impede os trabalhadores que querem voluntariamente aderir ao movimento grevista de poderem sair da unidade, sendo que fizemos tudo dentro da lei de greve”, contou.

Cibele também expôs que a direção da Petrobras deveria ter negociado a condição de trabalho durante a greve com o sindicato da categoria, o que não aconteceu e levou à ordem de prisão do gerente da refinaria de Cubatão. “Imagina a cabeça dessas pessoas, operando uma unidade fabril há mais de 40 horas contra a vontade em uma pressão de greve”, acrescenta.

Sobre o silêncio de Jair Bolsonaro com relação à greve dos petroleiros, Tadeu Porto disse que presidente agora sofre a pressão dos caminhoneiros, que também ameçam paralisação, mas usa o ICMS, imposto cobrado pelos estados, como “cortina de fumaça”.

Para Tadeu, além da pressão dos caminhoneiros, categoria que o apoiou durante a campanha eleitoral de 2018, Bolsonaro também foge do debate por “não saber como se explicar”.

“A verdade é essa. Ele sabendo o que ia acontecer, jogou a luz no ICMS, tentando fazer aquela cortina de fumaça, mas essa é uma pauta muito real na vida dos brasileiros. Você não tem como apagar com ‘golden shower’, não consegue esconder xingamentos, ou com vídeo de hiena com leão, essa é uma pauta muito presente na vida dos brasileiros e das brasileiras, a alta dos combustíveis. Ele vai ter que falar alguma coisa, mas defender essa política de preço da Petrobras é nefasto”, acrescentou.

Decisão inconstitucional

Em vídeo divulgado na noite desta segunda-feira (17) pela Comissão de Negociação da Greve, que ocupa há quase 20 dias uma sala do edifício sede da Petrobras no Rio de Janeiro, os petroleiros consideram a decisão do ministro Ives Gandra Martins, do Tribunal Superior do Trabalho (TST), inconstitucional e afirmam que a greve, que já atinge 21 mil trabalhadores de 121 unidades da Petrobras, será mantida.

Deyvid Bacelar, diretor da Federação Única dos Petroleiros (FUP), disse que não há um comunicado oficial da decisão do ministro, que estabelece multa diária de até R$ 500 mil e ainda permite a demissão de grevistas. No entanto, advogados dos petroleiros já discutem uma resposta à decisão monocrática, que segundo a FUP, é inconstitucional.

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