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29 de julho de 2019, 20h56

Documento da Aeronáutica mostra que Bolsonaro mentiu sobre pai do presidente da OAB

Presidente da República disse que Fernando Santa Cruz foi morto por "terroristas de esquerda", o que não é verdade, segundo documentos da Aeronáutica e a Comissão Nacional da Verdade

O presidente da OAB, Felipe, e o pai, Fernando Santa Cruz (Montagem)

O documento secreto RPB 655, elaborado pelo Comando Costeiro da Aeronáutica, mostra que Jair Bolsonaro mentiu, ao dizer, nesta segunda-feira (29), que Fernando Santa Cruz foi morto por militantes de esquerda. O relatório militar comprova que o pai do presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, foi preso pelo regime em 22 de fevereiro de 1974, no Rio de Janeiro.

Há outros relatos que desmentem a versão de Bolsonaro para o fato. No livro “Memórias de uma Guerra Suja”, o escritor Marcelo Netto, ex-marido da jornalista Miriam Leitão, é descrito que Fernando foi morto, em 1974, pelos militares, em um local que ficou conhecido como “Casa da Morte”. O imóvel ficava na cidade de Petrópolis, no Rio de Janeiro.

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A existência do local se tornou pública com as denúncias da única sobrevivente ao local: Inês Etienne Romeu, ex-dirigente da organização VAR-Palmares. Ela foi presa, estuprada e torturada por mais de três meses na propriedade. Acabou por ser solta e a primeira a falar da Casa.

Corpo incinerado

No livro, o ex-delegado Cláudio Guerra, que trabalhou na máquina de tortura do governo militar, confirma que Fernando Santa Cruz foi um dos que passaram pelo local. “Em depoimento à CNV, o ex-delegado Cláudio Guerra disse que o corpo teria sido incinerado na Usina Cambahyba, em Campos”, afirma documento produzido pela Comissão Nacional da Verdade (CNV).

“Tinha o Santa Cruz, que era jovem, veio para o Rio de Janeiro. De onde eu obtive as informações? Com quem eu conversei na época, ora bolas. Conversava com muita gente. E o pessoal da AP do Rio de Janeiro ficou, primeiro, ficaram estupefatos, ‘como é que pode esse cara vir do Recife se encontrar conosco aqui?’. O contato não seria com ele, seria com a cúpula da Ação Popular de Recife. E eles resolveram sumir com o pai do Santa Cruz. Essa é a informação que eu tive na época sobre esse episódio”, disse Bolsonaro.


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