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11 de fevereiro de 2020, 08h09

“Ela sabia”: Sérgio Cabral delata a esposa Adriana Ancelmo

Antes de iniciar sua delação na Lava Jato, Cabral foi alvo de ironia do juiz Marcelo Bretas: "O senhor foi promovido"

Sergio Cabral em depoimento a Marcelo Bretas (Reprodução)

Condenado 13 vezes em penas que somam 281 anos de prisão, o ex-governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral, está disposto a entregar quem quer que seja na delação firmada com o juiz Marcelo Bretas, da Lava Jato, para ter sua pena amenizada.

No primeiro depoimento ao magistrado, nesta segunda-feira (10), Cabral delatou a própria esposa, Adriana Ancelmo, que segundo ele sabia da existência de um caixa paralelo que gerava lucros ao esquema de lavagem de dinheiro comandado por ele e que ela usufruía do dinheiro ilegal.

“Ela sabia que eu tinha um caixa paralelo, que meus gastos eram incompatíveis com minha receita formal. (…) Liderando esse tipo de conduta recriminada, um companheiro ou companheira de quem esteja nessa situação vai convivendo, mas ela nunca sentou com nenhum fornecedor. Não estou falando para proteger. Estou dizendo porque é a pura verdade. Mas (Adriana Ancelmo) usufruiu largamente (o dinheiro de propina)”, disse.

Cabral ressaltou, no entanto, que Adriana e os filhos não sabiam de detalhes do esquema de corrupção. “Nunca abri pra ela, filho, ex-mulher, ninguém. O cuidado que eu tinha era só o (operador de Cabral no esquema) Carlos Miranda e eu sabíamos o nome das contas (no exterior), os valores das contas”.

Alexandre Lopes, advogado de Adriana afirmou, em nota enviada ao portal G1, que Cabral está desesperado e parece estar disposto a confessar tudo o que lhe for perguntado.

“Não vejo como possível levar a sério esse novo depoimento de Sergio Cabral. Se ele sequer mencionou o fato à Polícia Federal, ao que se sabe, em sua delação, passa-se a ideia de que o ex-governador quer se posicionar como um colaborador da Justiça, confessando tudo o que lhe for perguntado, a fim de auferir benefícios que nem mesmo o Supremo Tribunal Federal concedeu. Parece desespero pelos quase 300 anos de pena já impingida.”

Ironia
Antes de iniciar sua delação, Cabral foi alvo de ironia do juiz Marcelo Bretas, que disse que ainda não havia recebido formalmente o aviso da delação. “O senhor foi promovido”.

O acordo foi celebrado com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal (MPF) discorda do acordo por considerá-lo o líder da organização criminosa.


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