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09 de abril de 2019, 14h39

Empresário de SP assume autoria de “gravata” em manifestante pró-Lula

Francisco Medeiros faz questão de exaltar sua admiração por Bolsonaro; os outros dois homens que insultam a mulher em vídeo viralizado são um oficial de Justiça e seu companheiro

Francisco Medeiros. Foto: Reprodução Facebook

Em entrevista exclusiva à Fórum, o empresário paulistano Francisco Medeiros, admirador do presidente Jair Bolsonaro (PSL), assumiu a autoria da gravata desferida contra uma manifestante pró-Lula na avenida Paulista, no último domingo (07).

A cena da agressão foi registrada pelo repórter Chico Prado, da CBN, e viralizou nas redes sociais.

Foto: Reprodução/Vídeo Chico Prado)

Na segunda-feira (08), a Fórum já havia identificado o primeiro dos três homens que confrontam a mulher no vídeo: o oficial de Justiça do Tribunal Regional Federal (TRF3) e doutorando em Literatura da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Jaderson Soares Santana.

O segundo tinha sido apontado pela apuração do jornalista Ivan Longo como o companheiro de Jaderson. Hoje (09), seu nome, Eliezer, foi revelado pelo coletivo Jornalistas Livres.

A dupla aparece no vídeo insultando a mulher, que era segurada pelo pescoço por Francisco Medeiros, cuja identidade era alvo de tentativas de confirmação pela Fórum desde segunda.

A partir de informações e contatos recebidos de conhecidos do empresário pelo editor Renato Rovai, o jornalista Ivan Longo fez as primeiras ligações e enviou as primeiras mensagens a Medeiros.

Após novas tentativas nesta manhã, ele retornou o telefonema e conversou com a reportagem.

No primeiro contato, o empresário negou ser o homem que desferiu a gravata na manifestante. Sua postura reativa, porém, motivou o envio de nova mensagem, reiterando a importância de que apresentasse sua versão para os fatos.

Reação

Por telefone, Francisco Medeiros afirmou à Fórum que imobilizou a mulher para evitar que ela atingisse o homem de camisa azul (Eliezer) com um objeto que o empresário descreve como perfurante e que estava nas mãos da manifestante pró-Lula. “Ela não está marcada, não tem nenhum ferimento”, minimizou.

Segundo ele, a confusão teve início após a chegada da mulher e de seu namorado ao ponto da Paulista onde simpatizantes de Bolsonaro e defensores da Lava Jato protestavam contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Francisco afirmou que os dois xingaram “inclusive o presidente”, ofenderam e bateram até que o homem teria sido identificado, ao microfone, por uma das líderes do ato, como o autor de agressões contra opositores, ocorridas dias antes.

Ainda segundo o empresário, diante disso, o namorado teria sido imobilizado e deixado uma faca de cozinha cair ao chão.

Em reação, a namorada teria tentado perfurar um dos bolsonaristas, o que o levou a dar a gravata.

“Até acho que isso é coisa paga. Entram ele e a namorada de peito aberto para xingar, dar botinada, bater… Sabe que vai ser imobilizado”, disse Francisco, ao acusar ainda a “mídia” de estar em conluio com a suposta armação, “preparada para fotografar” as reações.

Durante a entrevista, o empresário referiu-se ao casal pró-Lula como “malditos manifestantes” e “raça de baderneiros”, lamentando ter visto os dois sendo liberados pela Polícia Militar após terem sido levados algemados.

Francisco disse ainda que a mulher se livrou do suposto objeto perfurante após a chegada de policiais, chamados, segundo ele, pelos apoiadores da Lava Jato. “Ela ficou desesperada”, emendou sobre a reação da militante que imobilizou.

O empresário contou ainda que foi convidado a subir ao caminhão do protesto do qual participava, onde a “ordem” [organização] agradeceu por sua intervenção.

Além de críticas ao PT e do reforço na confiança que deposita em Bolsonaro, a quem dedica a maior parte de suas postagens no Facebook, chamou a atenção da reportagem o espanto de Francisco quando informado de que os outros dois homens que aparecem no vídeo da gravata são um casal homossexual. “Mas eram dois senhores?!”, retrucou.


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