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27 de março de 2019, 08h34

Exonerações, polêmicas e recuos deixam Educação do país à deriva

Falta de quadros para preencher cargos, recuos em decisões, secretaria executiva vazia etc. Veja porque Vélez é considerado “gerencialmente incompetente”

Ricar
Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

O Ministério da Educação (MEC) está à deriva. O órgão é um dos maiores exemplos do que tem sido o governo de Jair Bolsonaro. Nesta terça-feira (26), o ministro Ricardo Vélez Rodríguez reviu decisão anunciada no dia anterior pela pasta – sem que ele soubesse -, de não avaliar crianças em fase de alfabetização no País.

Especialistas em gestão pública de educação dizem que o episódio mostrou mais uma vez o amadorismo e a falta de articulação do MEC no governo de Jair Bolsonaro.

Por outro lado, a série de demissões tem esbarrado em outra dificuldade séria. Vélez tem tido dificuldade em encontrar quadros para repor os espaços vagos. Para se ter uma ideia, seu ex-aluno, Alexandro Ferreira de Souza, passou a acumular duas secretarias. Após o pedido de demissão de Tania Almeida, que também não foi avisada da mudança na prova de alfabetização, ele assumiu a secretaria da Educação Básica, além de continuar com a de Educação Profissional e Tecnológica.

Nas últimas semanas, Vélez chegou a anunciar dois nomes de secretários executivos e foi desautorizado pelo Palácio do Planalto. O cargo permanece vago há 15 dias. “Não temos mais interlocutor no MEC, não tem com quem se possa conversar sobre os anseios dos secretários, das escolas do País”, diz a presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) Cecília Motta, que é secretária de Mato Grosso do Sul. “Precisamos de uma política de Estado, não de governo.”

Ministro “gerencialmente incompetente”

Em entrevista ao jornal O Globo, publicada nesta quarta-feira (27), Marcus Vinicius Rodrigues, demitido ontem (26) da presidência do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) afirmou que o ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez é “gerencialmente incompetente” e não tem “controle emocional” para conduzir a pasta.

Ainda sobre o ministro, o ex-presidente afirmou que “não teve acesso a boas faculdades” e que seria “refém” das próprias limitações mesmo sendo uma “pessoa de bem”.

General no Inep

O general Francisco Mamede de Brito Filho, que tem experiência na área de Defesa e nunca trabalhou com educação, deve assumir o Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep), que responde pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Brito Filho foi chefe do Estado-Maior do Comando Militar do Nordeste.

“Faz três meses que não temos uma clara orientação sobre qual a política nacional”, afirma a ex-secretária executiva do MEC no governo de Michel Temer e de Fernando Henrique Cardoso, Maria Helena Guimarães de Castro. Ela diz que livros e merenda, por exemplo, que são ações de alocação automática de recursos, estão chegando às escolas. Mas não se sabe o que vai acontecer com verbas que seriam destinadas à implementação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) ou para a reforma do ensino médio, por exemplo.

Com informações do Estadão

 


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