No rastro do crime ambiental nas praias do Nordeste
09 de julho de 2019, 07h59

Flávia Oliveira, jornalista da GloboNews, explica em 8 pontos por que é contra o trabalho infantil

“E eu incrédula sobre termos retrocedido tanto no debate socioeconômico brasileiro. Um tema que parecia ‘pacificado’ em relevância, diagnóstico e políticas públicas ressuscita do pior jeito”, diz a comentarista de economia

Foto: Reprodução/GloboNews

As declarações recentes de Jair Bolsonaro, se posicionando favoravelmente ao trabalho infantil, ainda causam repercussão. A jornalista Flávia Oliveira, comentarista de economia da GloboNews e da rádio CBN, além de colunista do jornal O Globo, publicou no Twitter uma sequência de oito posts com as razões que fazem com que ela seja contra a prática defendida pelo presidente.

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Vejam a thread da Flávia Oliveira:

1) Thread que recomendo sobre efeitos perversos do trabalho infantil. E eu incrédula sobre termos retrocedido tanto no debate socioeconômico brasileiro. Um tema que parecia “pacificado” em relevância, diagnóstico e políticas públicas ressuscita do pior jeito.

2) Jura que quase no fim da segunda década do século XXI tem gente comparando exploração de mão de obra na infância com vender brigadeiro em escola classe média? O Brasil tem criança em lixão, casa de família, em lavoura, em sinais de trânsito nas cidades, no crime.

3) Vem desse quadro debate e as políticas sobre universalização matrículas, transferência de renda (Bolsa Família), busca ativa contra evasão. Estamos na era do conhecimento, em que formação vale muito, trabalho braçal cada vez menos. Em vez de avançar, retrocedemos no debate.

4) Que tal compartilhar o quanto a educação, um professor, uma formação dignificaram o futuro de adultos não submetidos ao trabalho infantil? O quanto a possiblidade de aprender uma língua estrangeira, tocar um instrumento, acessar o mundo digital transformou vidas?

5) Não ter trabalhado na infância e na adolescência foi fundamental para eu ter concluído os níveis básicos e superior. E, com eles, ter mudado minha vida. Agradeço a minha mãe, mulher pobre, cinco anos de estudo, nordestina, por sempre ter me cobrado a educação formal.

6) Sou produto da educação pública e gratuita, não do trabalho precoce. Me orgulho disso. Sei que muitos dos meus amigos de Irajá interromperam os estudos, porque precisaram trabalhar para ajudar os pais. Isso confina as pessoas à precariedade.

7) Gerações de mulheres negras brasileiras tiveram como única porta de entrada no mercado o trabalho doméstico. Foram privadas, ainda meninas ou adolescentes, da educação formal para terem só em 2015 direitos trabalhistas de uma legislação septuagenária.

8) É o investimento maciço em educação de qualidade que permite melhora mobilidade social, no bem-estar. A exploração de mão de obra infanto-juvenil não faz isso.


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