Fórumcast #19
04 de dezembro de 2018, 15h07

Funcionária do Conasems orienta gestores do Mais Médicos a não aceitarem “qualquer lixo”

O “qualquer lixo” a que ela se refere são gestantes, idosos e médicos com problemas legais

Foto: Divulgação

Uma funcionária do Conasems (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde) orientou gestores municipais a não aceitarem profissionais idosos, gestantes e com problemas legais no programa Mais Médicos. Ela diz não ser possível a aceitação de “qualquer lixo” e orienta os secretários municipais que “segurem a onda um pouquinho”.

A fala dela em áudio que circulou por grupos de WhatsApp, no final de novembro, provocou uma crise entre a entidade e o CFM (Conselho Federal de Medicina).

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“Eu tenho recebido bastante comunicação dos Cosems (os conselhos estaduais das secretarias) de médicos com problemas, problemas legais, médicas de oito, nove meses de gestação se apresentando, médicos idosos, uma série de situações que não são favoráveis para o gestor municipal. Então, não vou admitir um médico que tem 12 processos na Justiça, outro que é assaltante, a médica que já vai sair para dar à luz, o médico que tá já na reta [final da carreira]… enfim”, afirma ela.

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“Ontem conversei com o Mauro [Junqueira, presidente do Conasems] e a gente vai construir uma argumentação que nos proteja de não validarmos esses casos duvidosos.”

Aos gestores, orientou que aguarde e não valide os médicos, já que o prazo final para a apresentação dos profissionais nas unidades de saúde vai até o dia 14 de dezembro.

“[Precisamos] cuidar para que o pepino não sobre na nossa mão”, afirmou a funcionária. “Essa semana foi uma loucura, o Ministério [da Saúde] está querendo dizer que resolveu tudo, não importa como”, disse.

A fala provocou uma reação do CFM, que cobrou um esclarecimento do Conasems sobre o que foi dito pela funcionária.

De acordo com a entidade, os comentários são “pejorativos em relação aos médicos brasileiros que se apresentaram para suprir os postos abertos no programa Mais Médicos em um momento especialmente delicado pelo qual o país atravessa”.

“Caso a instituição não reconheça as manifestações contidas naquela mensagem, sugerimos que sejam prestados esclarecimentos públicos à sociedade brasileira, bem como a este Conselho Federal de Medicina”, afirma a entidade.

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O Conasems confirmou a veracidade do áudio, mas não identificou a funcionária. Em ofício do último dia 29, a entidade disse se tratar de “uma manifestação infeliz de uma funcionária pressionada por um sem número de demandas recebidas”.

A entidade disse que as falas não representam sua opinião e que Junqueira, o presidente, já advertiu e aplicou “medidas disciplinares cabíveis” à funcionária.

Com informações da Folha

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