Em nota, PSOL reitera posicionamento contrário ao acordo de Bolsonaro e Trump sobre base de Alcântara

Segundo o partido, medida “é lesiva aos interesses nacionais” e fere a soberania brasileira, além de afetar centenas de famílias e comunidades quilombolas residentes na região

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
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A direção nacional do PSOL divulgou nesta terça-feira (3) uma nota para explicar o posicionamento do partido contrário ao acordo entre os presidentes do Brasil e EUA, Jair Bolsonaro e Donald Trump, sobre a base espacial de Alcântara, no Maranhão. A Câmara dos Deputados pretende votar o projeto, em regime de urgência, nesta semana em plenário. Conforme a nota do PSOL, o acordo “é lesivo aos interesses nacionais” e fere a soberania brasileira. Outro grave problema é que ele afeta centenas de famílias e comunidades quilombolas residentes na região e estão sendo ameaçadas de expulsão sem nenhum tipo de consulta prévia.

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Veja abaixo a íntegra da nota do PSOL: Nota da Executiva Nacional do PSOL sobre o Centro de Lançamento de Alcântara A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara Federal aprovou, em 21 de agosto, acordo sobre Salvaguardas Tecnológicas relativas ao uso do Centro Espacial de Alcântara, no Maranhão. Assinado em março por Jair Bolsonaro e Donald Trump, tal acordo fere a nossa soberania, é lesivo aos interesses nacionais e cria áreas restritas, nas quais, em pleno território nacional, autoridades brasileiras não poderiam entrar sem autorização dos EUA. O acordo restringe o uso que o Brasil pode fazer das receitas advindas da exploração comercial do centro de lançamento para nosso próprio programa aeroespacial; retira do Estado brasileiro a faculdade de decidir quais outros países podem utilizar o local; e limita até mesmo a atuação de nossas forças policiais e de prestação de socorro em caso de acidentes. Além disso, afeta centenas de famílias comunidades quilombolas que vivem na região, ameaçadas de expulsão sem nenhum processo de consulta prévia, como determina convenção 169 da OIT. O PSOL colocou-se veementemente contra o texto, que acabou aprovado por 21 votos a 6. Surpreendentemente, a proposta teve o apoio de parlamentares de outros partidos de oposição. Como antes de ser votado pelo plenário, a proposta ainda seria apreciada pelas comissões de Ciência e Tecnologia, e Constituição e Justiça, os partidos de esquerda teriam tempo suficiente para travar amplo e respeitoso debate com objetivo de construir uma posição unitária contra este “Acordo de Salvaguardas Tecnológicas”, que fere nossa soberania e viola direitos ancestrais. A tentativa de votar urgência no plenária da Câmara, articulada por Rodrigo Maia e apoiada por alguns deputados da oposição, implode essa possibilidade. O PSOL rejeita a votação da proposta de votação em caráter emergencial e espera que essa seja a posição dos demais partidos de oposição. Com a soberania nacional não se brinca. Executiva Nacional do PSOL 3 de setembro de 2019