Grupo de empresas que financia ONGs fala em “aspirações autocráticas” de Bolsonaro e “erosão do ambiente democrático”

Em nota pública, o GIFE, que reúne fundações ligadas à bancos, grandes empresas e até à TV Globo, cita a prisão dos brigadistas no Pará, que "constitui um passo a mais nesse processo, trazendo a novo e grave patamar o ambiente de ameaças à ação cívica no país"

Em nota divulgada nesta quinta-feira (28), o Grupo de Institutos Fundações e Empresas (GIFE), que reúne entidades ligadas a 141 empresas que financiam projetos nas áreas sociais, criticou duramente as “aspirações autocráticas mais profundas” de Jair Bolsonaro que promovem a “erosão crescente do nosso ambiente democrático”.

“No marco da erosão crescente do nosso ambiente democrático, o ano de 2019 tem sido marcado pela profunda hostilidade oficial à atuação do terceiro setor e da sociedade civil no Brasil”, diz a nota pública do grupo, que reúne fundações ligadas a bancos como Bradesco, Banco do Brasil e Bank of America, e às maiores empresas em atuação no país, além de grupos de comunicação, como a Rede Globo.

“Desde o chamado ainda na campanha eleitoral para literalmente “botar um ponto final em todos os ativismos no país”, a atitude predominante do governo federal em relação às organizações de promoção da cidadania e da participação social na vida pública tem sido a de fomentar a desconfiança e desqualificação, quando não a sugestão recorrente de criminalização da atuação dos mais diversos atores na sociedade”, diz o texto, que cita a prisão dos brigadistas do Projeto Saúde e Alegria, no Pará, acusados de promover queimadas na Amazônia.

“A ação voluntarista e nebulosa da Polícia Civil do Pará deflagrada na última terça-feira contra o Projeto Saúde e Alegria e outras organizações dedicadas à preservação ambiental e à provisão de serviços para a população do estado constitui assim um passo a mais nesse processo, trazendo a novo e grave patamar o ambiente de ameaças à ação cívica no país”, diz a nota.

O documento ainda destaca o “cerceamento e a perseguição” imposta pelo governo àqueles que considera inimigos.

“A cadeia que leva da prática oficial à mobilização do aparelho de estado e de bases virtuais de apoio na sociedade para o cerceamento e perseguição da pluralidade já não tem como ser ignorada pelos que prezam a liberdade, a democracia e a possibilidade de construção de soluções públicas no país”.

Leia a nota na íntegra.

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