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16 de outubro de 2018, 22h55

Haddad sobre fake news de Bolsonaro: “Avacalhação da democracia”

Em entrevista concedida ao jornalista Bob Fernandes, além de apresentar propostas de seu plano de governo, Haddad criticou as fake news espalhadas por Bolsonaro e disparou: "Ele cultua a ditadura, a tortura e é partidário da cultura do estupro"

Foto: Ricardo Stuckert

Em entrevista concedida ao jornalista Bob Fernandes, veiculada nesta terça-feira (16) pela TVE Bahia, o candidato à presidência pelo PT, Fernando Haddad, classificou como “grave” o fato de uma figura como Jair Bolsonaro (PSL), que defende a tortura e a ditadura, ter chegado ao segundo turno de uma eleição presidencial.

“É lamentável que tenhamos chegados a essa situação. Se observar, desde a crise econômica de 2008, pelo mundo, muitos radicais extremistas vêm disputando voto. Felizmente sem sucesso. O próprio neoliberalismo não quer isso.  Mas aqui infelizmente chegamos a uma situação em que uma pessoa assim  participa no segundo turno. E isso é muito grave. Todo mundo sabe o que Bolsonaro pensa da democracia: ele cultua a ditadura, cultua a tortura, disse que a ditadura errou em só torturar, que devia ter matado, é partidário da cultura do estupro, coisas desse tipo”, pontuou.

O ex-prefeito de São Paulo falou também sobre a intensa artilharia de fake news encampada pela campanha de Bolsonaro e seus seguidores. “Isso é uma avacalhação da democracia. Ele usa Whatsapp para me caluniar. Esses dias o filho dele falou que sou a favor do incesto, citando um livro meu sobre economia. Olha o tamanho da loucura”, disse, antes de esclarecer, ainda, que os disseminadores de fake news sequer se deram ao trabalho de ler seu livro.

“O meu primeiro livro escrevi em 1989, tinha 16 anos. Era contra os regimes autoritários de esquerda. Ele pega a capa do livro e diz que eu estou defendendo stalinismo. Ou seja, não leu! Estamos vivendo momentos muito perigosos”, afirmou.

Sobre Bolsonaro, Haddad disse ainda que o considera um dos piores parlamentares que já viu na vida e afirmou que sua recusa em participar dos debates eleitorais se deve ao fato de que ele não tem propostas. “Eu acho que é a exposição. A exposição não faria bem para ele”, opinou.

Ao longo da entrevista, o candidato do PT citou ainda pontos de seu programa de governo, como a revogação da PEC do teto dos gastos para retomar investimentos, criação de emprego, redução dos juros bancários, desconcentração dos monopólios de comunicação, além de reforma fiscal e programas sociais. De acordo com o petista, seu futuro ministro da Fazenda, que ainda não está definido, não será um banqueiro, mas algum economista que tenha preocupação com “o social”.  “Será uma pessoa que conheça os problemas do país e do povo”, explicou.

Com relação às pesquisas, que mostram uma diferença de 18 pontos entre ele e Bolsonaro, “Haddad se mostrou otimista. Eu sou candidato a presidente a pouco mais de 30 dias. E cresci de 4% para 42%. Estou a 8% da vitória. É assim que eu vejo nossa vitória. Estamos ampliando nossa frente democrática”, afirmou, antes de finalizar com um juramento.

“Conquistamos a constituição de 88 e eu juro defendê-la. Não vamos deixar o país tomar o caminho do arbítrio e do totalitarismo”.

Assista a íntegra.


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