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24 de julho de 2019, 14h25

Juiz Vallisney de Souza quer quebrar sigilo de casal acusado de hackear Moro

Vallisney diz que as investigações indicam renda mensal incompatível com o volume de recursos movimentados por suspeitos, o que pode sinalizar que outras pessoas patrocinaram os ataques cibernéticos contra autoridades

Foto: Reprodução

Na decisão em que autorizou a prisão de quatros suspeitos de hackear celulares de autoridades, o juiz federal Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal, afirma que há “fortes indícios” contra eles. Na decisão divulgada à imprensa nesta quarta-feira (25) ele determinou a quebra do sigilo bancário dos presos de 1º de janeiro a 17 de julho deste ano e o bloqueio acima de R$ 1.000 em suas contas.

“Há fortes indícios de que os investigados integram organização criminosa para a prática de crimes e se uniram para violar o sigilo telefônico de diversas autoridades brasileiras via invasão do aplicativo Telegram”, diz o juiz no despacho.

Na decisão, o juiz não cita que os suspeitos teriam hackeado o telefone do coordenador da Lava Jato em Curitiba, procurador da República Deltan Dallagnol.

Conforme noticiado pela Fórum, Vallisney aceitou denúncias do Ministério Público Federal (MPF) e tornou Lula réu em mais de uma oportunidade. Em uma delas, na Operação Janus, por corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, tráfico de influência e organização criminosa.

A decisão completa: DECISÃO – 10a Vara

Os suspeitos são: o DJ Gustavo Henrique Elias Santos, de 28 anos, que já usou o nome artístico de “Guto Dubra”, o seu amigo Walter Delgatti Neto, mais conhecido como Vermelho, de 30 anos, além de sua esposa, Suelen Priscila de Oliveira. Junto a eles, foi preso Danilo Cristiano Marques, sobre quem foram revelados poucos detalhes. Todos são do estado de São Paulo, sendo dois do interior e dois da capital.

Movimentações suspeitas

Vallisney também apontou a existência de movimentações “suspeitas” nas contas de dois dos quatro investigados.

Segundo a decisão do juiz, o relatório da PF sobre as investigações demonstra que dois investigados movimentaram, juntos, mais de R$ 627 mil entre março e junho.

De acordo com a PF, o cadastro bancário de um dos investigados mostra que a renda mensal dele era de R$ 2,8 mil. Do outro, segundo a PF, era de R$ 2,1 mil.

“Diante da incompatibilidade entre as movimentações financeiras e a renda mensal […], faz-se necessário realizar o rastreamento dos recursos recebidos ou movimentados pelos investigados e de averiguar eventuais patrocinadores das invasões ilegais dos dispositivos informáticos (smartphones)”, diz o juiz Vallisney de Oliveira.

Na decisão, o magistrado também autoriza o bloqueio de R$ 1 mil nas contas dos quatro investigados. Segundo ele, o pedido do Ministério Público Federal, que desejava bloquear R$ 10 mil de cada um, não pode ser atendido porque trata-se de diferentes investigados e de movimentações “bastante difusas e variadas entre eles”.

Segundo a decisão assinada por Vallisney, as investigações realizadas pela Polícia Federal apontaram que os supostos hackers tiveram acesso ao código enviado pelos servidores do aplicativo Telegram ao celular de Moro para abrir a versão do aplicativo no navegador.


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