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11 de fevereiro de 2020, 21h10

Kika Silva: “O racismo é tão forte em São Paulo que a cidade não se humaniza”

Liderança do movimento de combate ao racismo, Kika Silva concedeu entrevista à Fórum e falou sobre sua pré-candidatura, pelo PT, à prefeitura de São Paulo

Kika Silva (Reprodução/Facebook)

A convidada desta terça-feira (11) na série de entrevistas da Fórum com pré-candidatos do PT à prefeitura de São Paulo foi a liderança do movimento de combate ao racismo Valkiria de Souza Silva, a Kika.

Na entrevista, Kika, que além de liderança do movimento negro é autoridade no candomblé, explicou sobre os motivos que a levaram a colocar seu nome à disposição do partido para a disputa municipal e estabeleceu as relações entre o movimento negro e o PT.

“O movimento negro organizado se dá muito antes da formação do Partido dos Trabalhadores”, disse, explicando como os ativistas negros passaram a fazer parte do partido e também tratando sobre a conexão do movimento de combate ao racismo com o movimento feminista.

Neste sentido, a pré-candidata comentou sobre a situação atual das mães e mulheres nas periferias de São Paulo e falou sobre o peso de ser mulher e negra. “Até bem pouco tempo, uns 30 anos, ser mãe solteira era até difícil de falar”.

Para Kika, “a conjuntura não é favorável a nenhuma juventude”. Ela afirma, porém, que é nesse contexto que surgem inúmeras organizações de resistência. Como exemplo, a pré-candidata citou a cultura do funk e do rap.

“Os jovens estão tentando se organizar”, disse. “O partido tem dialogado [com essa juventude]”, garantiu.

Com relação ao antipetismo, Kika defendeu o legado das gestões de seu partido na cidade. “Se você perguntar para qualquer morador aqui, na Cidade Tiradentes, mesmo que ele seja anti-petista, ele vai dizer que as gestões do PT foram as melhores para a região”, avaliou.

Sobre o simbolismo de sua pré-candidatura, enquanto mulher negra, Kika afirmou que “sempre que qualquer mulher ou negro se propõe a uma disputa política, é chamado de desqualificado, despreparado”.

“Eu não posso ser chamada de despreparada só por não ter sido ministra”, declarou.

“O racismo é tão forte na cidade de São Paulo que ela não se humaniza”, completou a pré-candidata.

Assista à íntegra da entrevista.


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