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26 de junho de 2020, 19h24

Lula a Alberto Fernández: “O que vai salvar a América Latina depois da pandemia é uma palavra chamada democracia”

O ex-presidente brasileiro e o presidente argentino participam de debate realizado pela Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de Buenos AIres; assista ao vivo

Reprodução/Twitter

O presidente da Argentina, Alberto Fernández e o ex-presidente Lula participam de debate realizado pela Faculdade de Ciências Sociais nesta sexta-feira (26). Lula comentou sobre o passado recente da região, a situação atual com o coronavírus e a fragilidade democrática e o futuro pós-pandemia.

“O que vai salvar a América Latina depois da pandemia é uma palavra chamada democracia. Precisamos recuperar a democracia com um estado forte, porque a pandemia também estrá mostrando que o mercado não resolve nada. O mercado só pensa no próprio umbigo”, afirmou o ex-presidente. “A democracia vai permitir com que a gente eleja pessoas comprometidas com o povo outra vez. Eu vou brigar muito para recuperar a democracia no meu país”, completou

“Transformar o mundo é, antes de tudo, uma questão de necessidade. Não sei como será o mundo depois dessa pandemia, creio que ninguém sabe. Mas há apenas uma certeza: países em que o governo pensou primeiro na população, como a Argentina, sairão desta crise em situação melhor que os que não pensaram”, disse ainda,

Lula comparou a situação do Brasil com a Argentina. Enquanto o país governado por Bolsonaro ultrapassa as 55 mil mortes, o país vizinho registra menos de 2 mil mortes. Com uma quarentena rígida, a Argentina virou exemplo no mundo.

“Quando vejo a quantidade de vidas que foram salvas na Argentina, me dói muito ver o meu país desgovernado. Com ministros incapazes e um presidente da República que chega a fazer piada com a tragédia. Lamento muito pelo meu Brasil e cumprimento o presidente Alberto Fernández”, disse Lula. “Continue fazendo o que você está fazendo Alberto. A América Latina precisa de exemplos e hoje você é o grande exemplo da América Latina”, afirmou.

Pátria Grande

O ex-presidente ainda destacou o sonho conjunto entre os países. “O mundo sempre precisou de líderes e de sonhos, não faz tanto tempo assim, aqui na América Latina nós começamos a resgatar o antigo sonho de Simón Bolívar – a Pátria Grande. Bolívar já antecipava algo que se tornou muito claro no século passado”, declarou o presidente, citando a expropriação de riquezas e golpes que atingiram o subcontinente. “Nós quase chegamos lá e conseguimos fazer coisas extraordinárias”, completou.

“Depende de nós acender a luz nas trevas. A política é o instrumento pelo qual podemos transformar os nossos sonhos em realidade. Creio que nunca foi tão necessário sonhar em construir um mundo melhor”, afirmou ainda o presidente.

“Mesmo que tenhamos feito quase uma revolução silenciosa no Brasil para mudar a vida do povo, não conseguimos impedir que as instituições da democracia fossem utilizadas contra a democracia e o povo mais uma vez em nossa história”

Lula ainda prestou uma homenagem à Cuba, dizendo que o país “é vítima de uma pandemia chamada bloqueio econômico e perseguição ideológica desde 1959”. O ex-presidente disse que pretende ir, em breve, à ilha caribenha e à Argentina.

O debate

Carolina Mera, diretora da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de Buenos Aires (FSoC/UBA), apresentou o evento como o de um “diálogo entre o acadêmico e o político para pensar o dia depois da pandemia”.

A campanha Lula Livre foi bastante comentada pelos debatedores que antecederam Lula e Fernández. O presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados da Argentina, Eduardo Valdés, disse que o ex-presidente é brasileiro mais querido no país e ainda destacou que “as fronteiras entre Brasil e Argentina não existiram quando se lutou pela liberdade de Lula”.

O ministro da Educação argentino, Nicolás Trotta, destacou que “a pandemia iluminou a profunda desigualdade na América Latina.”. “Iluminou porque não é mais possível ignorar. A América Latina segue sendo o continente mais desigual do mundo”, declarou.

O ativista Pérez Esquivel, prêmio Nobel da Paz, destacou a importância de refletir sobre o momento atual, um momento de “definições e desafios”. Ele ainda refletiu sobre o estágio do capitalismo e a relação da humanidade com o Meio Ambiente.

Assista:

https://twitter.com/LulaOficial/status/1276621730669355009/photo/1

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