Lula ao Telegraph: “Bolsonaro não tem força política para articular golpe de estado”

"O ex-engraxate, que saiu de uma família pobre para se tornar o presidente mais popular do Brasil, está planejando seu retorno desde sua absolvição no ano passado", diz o jornal britânico, Leia os principais pontos da entrevista.

Em entrevista ao site do jornal britânico The Telegraph, divulgada neste sábado (15), Lula (PT) afirmou que Jair Bolsonaro (PL) não tem forças para dar um golpe, caso ele vença as eleições em outubro, confirmando as projeções das pesquisas.

Acredito que Bolsonaro não tem força política para articular um golpe de estado, ou mesmo para atrapalhar as eleições do ano que vem. Ele continuará falando para uma parcela minoritária da população brasileira enquanto a grande maioria do povo rejeita seu autoritarismo e seu governo desastroso”, disse o petista.

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A maioria, hoje, quer Bolsonaro longe da presidência. Ele terá que respeitar os resultados das eleições”, emendou Lula.

Na entrevista, o jornal britânico classificou Lula como “ex-engraxate” e disse que o petista “é o claro favorito para vencer as eleições e voltar ao poder”.

O ex-engraxate, que saiu de uma família pobre para se tornar o presidente mais popular do Brasil, está planejando seu retorno desde sua absolvição no ano passado“, disse o jornal.

“Só faz sentido ser presidente novamente para fazer mais do que já fiz. Quem assumir a presidência depois de Bolsonaro terá a tarefa de promover a reconstrução do Brasil, conversar com toda a sociedade e trabalhar junto com ela para colocar o país de volta nos trilhos do crescimento econômico e da justiça social”, disse Lula.

Mundo e meio ambiente

Em relação à política internacional, Lula disse que colocará o meio ambiente como foco de sua gestão, caso seja eleito, e retomou o que disse a lideranças políticas durante seu giro pela Europa no final de 2021: “o mundo precisa de um novo modelo de governança global“.

O petista disse ainda que pretende usar a política externa para pressionar por alianças mais fortes entre os países latino-americanos que possam desafiar a ortodoxia EUA x China.

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Esta união reforçará nossa soberania e nossas posições em um mundo que não pode ficar em meio a uma nova Guerra Fria entre os Estados Unidos e a China. Queremos um mundo multipolar, onde haja mais cooperação entre os países e menos conflitos”, afirmou.

Ao comentar sobre o governo Boris Johnson, acuado após divulgação de festas durante a pandemia e denúncias de corrupção, Lula fez um alerta.

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“Os partidos políticos são grupos que defendem ideias, que disputam eleições. Se algum membro desse partido fez algo errado, ele tem que ser punido dentro da lei, mas não se pode confundir os erros de um indivíduo com uma organização coletiva de milhares ou milhões de pessoas, porque isso acaba demonizando a política”, disse Lula.

A história ensina, seja na Alemanha dos anos 1930 ou no Brasil nos últimos anos: quando a política é negada, o que vem depois é sempre pior“, emendou, lembrando a ascensão do regime nazista de Adolph Hitler.

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Plinio Teodoro

Jornalista, editor de Política da Fórum, especialista em comunicação e relações humanas.