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16 de novembro de 2019, 13h09

Lula livre!?!, por Marcos Danhoni

O simples fato de Lula estar de volta já foi registrado num site de pesquisa estatística como um retorno da esperança, mesmo entre aqueles que a perderam

Lula livre (Foto: Gibran Mendes/Brasil de Fato)

Por Marcos Danhoni*

“Depois de escalar uma grande montanha se descobre que existem muitas outras montanhas para escalar”. (Nelson Mandela em “O longo caminho para a liberdade”)

“Com nazista só se conversa na ponta da baioneta”. Giulio Cortini (partigiano, autor da bomba que matou 33 nazistas na Via Rasella, numa Roma dominada pelos nazistas).

Finalmente Luís Inácio Lula da Silva sai do cárcere de Curitiba após 580 dias de uma prisão política, injusta, imposta por um Juiz parcial em conluio com um procurador atolado até o pescoço com mecanismos golpistas que se espalharam como metástases desde as jornadas de junho de 2013 e potencializadas pelos golpes de 2016 (jurídico, parlamentar, midiático, militar) e 2018 (eleitoral, impulsionamento-de-fake-news, miliciano, midiático, militar).

Apesar da liberdade, Lula não está livre: pesa-lhe a condenação pelo triplex e os imbróglios do sítio de Atibaia e do Instituto Lula. Todos sabemos que estas ações e a condenação tem seus fundamentos nas nuvens … Nada provam, a não ser a convicção fascista de Moro e Dallagnol, protegidos ferozmente pela ampla quadrilha que abrange de delegados, do MP, de juízes do STF (principalmente Barroso, Fachin e Fux) à presidência miliciana do Brasil de hoje.

Lula, e o povo que anseia a democracia, escalaram uma íngreme montanha, mas, em seu topo, divisaram à frente uma cadeia de altíssimas montanhas quase inexpugnáveis, similar à cadeia do Himalaia. Isto não deve nos esmorecer. Vimos que a América Latina está em polvorosa, como nos anos 1960-70: Honduras, Haiti, Peru, Equador, Chile, Bolívia, …, Brasil. Onde parece reinar somente o caos, reside, sobretudo, nossa maior esperança: aglutinar os desesperançados e partir para o ataque frontal contra os neo-liberais e o fascismo mais explícito. Os chilenos estão hoje na avant-garde desta luta e provavelmente deporão Piñera. Os bolivianos conseguiram, por ora, impedir a consolidação dos planos golpistas. Peru, Honduras e Equador, não se sabe. Haiti, no caos permanente. Brasil, …, bom o Brasil carece de uma estratégia de amplo espectro envolvendo os partidos de esquerda, os sindicatos, as associações de classe e a população em geral.

Enquanto isso, sem o sabermos, talvez, estamos normatizando o horror: perdendo direitos, liberdade de expressão, censurando a cultura, criminalizando a educação, destruindo o SUS, desnacionalizando nossas empresas, matando nossos jovens, … Este perverso processo de destruição nossa pertencença a uma comunidade democrática nos isolou do resto da América Latina. Movimentos esporádicos, sem comunicação, sem lideranças coordenadas, nos farão viver o desgoverno Bolsonaro de forma tão trágica quanto aqueles inaugurados em Roma 1922 (Mussolini) e Berlim 1933 (Hitler).

A esperança, no entanto, renasce com a liberdade de Lula! Apesar de todo dano, tanto à nossa cidadania, quanto à nossa economia, durante os golpes de 2016 e 2018, é necessário lutar pela liberdade PLENA de nosso maior líder e de sua herança política histórica. Não prender, não deixar prender, reagir! Lutar como os chilenos e bolivianos!

O simples fato de Lula estar de volta já foi registrado num site de pesquisa estatística como um retorno da esperança, mesmo entre aqueles que a perderam. Porém, ao indagarmos sobre o exílio de Evo Morales, e o que o levou à renúncia (sequestro de parentes, destruição de seus lares, quase linchamento de autoridades de seu governo), indicando uma trama diabólica miliciana, sabemos o quão grande é o risco da liberdade de Lula ser maculada pela ignomínia do terror de Estado.

Apesar de tudo, seja bem-vindo, Presidente Lula, à nossa prisão, como se transformou o Brasil sob o domínio de Bolsonaro, seus filhos e o esquema de milicianos que ele implantou de norte a sul de nosso país! Vamos agora quebrar as grades juntos e dialogar nas pontas das baionetas, como diria o velho partigiano Giulio Cortini. Avante!!!

Marcos Cesar Danhoni Neves é Professor Titular da Universidade Estadual de Maringá, autor do livro “O Labirinto do Conhecimento”, entre outras obras


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