Fórumcast #19
27 de fevereiro de 2018, 12h22

Manuela D’Ávila: “Não há candidato de centro, precisamos desmascarar o PSDB”

Pré-candidata pelo PCdoB, a deputada disse que “teremos candidaturas que defendem o desenvolvimento do Brasil ou candidaturas que defendem a entrega do país”

Candidata à deputada estadual Carina Vitral, candidato a deputado federal Orlando Silva, Manuela e Lecy Brandão: lideranças do PCdoB, durante encontro em São Paulo – Foto: Portal Vermelho

Por Joana Rozowykwiat, do Portal Vermelho

Em encontro com amigos e militantes do PCdoB em São Paulo, a pré-candidata do partido à presidência da República, Manuela D’Ávila, defendeu que é preciso “desmascarar” o PSDB, que tenta se apresentar como uma força de centro nas eleições deste ano. “Hoje não existe candidatura de centro. Nós teremos nessa eleição candidaturas que defendem o desenvolvimento do Brasil ou candidaturas que defendem a entrega do país”, disse.

Em evento realizado na Assembleia Legislativa de São Paulo, na noite desta segunda-feira (26), Manuela se disse feliz em ser recebida por militantes que fazem oposição à gestão tucana no Estado e sabem que Geraldo Alckmin “não representa o centro” político. “Temos que desmascarar o PSDB paulista, o tucanato que diz que será uma opção de centro nas eleições”, discursou. Estiveram presentes várias lideranças do parido, como Carina Vitral, candidata à deputada estadual; Orlando Silva, candidato a deputado federal; Lecy Brandão, deputada estadual, entre outras.

Segundo ela, as candidaturas “do lado de lá” se unem programaticamente, em torno de ideias que são “anti-Estado para os pobres e ultra-Estado para tolher os direitos individuais”. Na sua avaliação, os conservadores querem o “Estado máximo para nos oprimir individualmente e o Estado mínimo para garantir o lucro dos poderosos”. “A direita hoje é anti-mulheres, anti-negros, anti-liberdade religiosa, anti-cultura popular”, disse.

Para a deputada, o Brasil precisa construir uma saída para a crise que enfrente os interesses de banqueiros e se alie ao setor produtivo, negando o “receituário dos que se unem ao 1% que lucra com o rentismo e ignora o povo”.

A pré-canditada destacou a decisão de seu partido de lançar seu nome com o objetivo de debater alternativas para enfrentar as crises política e econômica. Ela resgatou que, nas décadas de 50 e 60, o país vivenciou um ciclo de esperança no desenvolvimento nacional, que terminou interrompido por um golpe.

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“Depois, retomamos um momento de muita expectativa, quando Lula mostrou ao mundo que era possível reduzir a miséria e enfrentar a pobreza e criou algumas políticas muito importantes, como foi o ProUni. Esse ciclo também foi interrompido por um golpe, que passa pela judicialização da política, pela construção de um impeachment sem crime de responsabilidade”, afirmou.

Manuela ressaltou que o golpe não se resumiu a tirar Dilma do Rousseff do governo e tem continuidade com a implementação de medidas que significam retrocessos para a maioria da população, casos da reforma trabalhista e da Emenda Constitucional 95, que congelou os gastos públicos por 20 anos.

“A diminuição do Estado é cruel para todos, mas mais ainda para as mulheres. Num país em que as mulheres que são mães recebem 70% a menos que os salários dos homens, dizer que não ampliaremos investimentos em educação infantil, é dizer que as mulheres ficarão alijadas da volta ao mercado de trabalho”, apontou.

Em uma mesa composta por parlamentares, dirigentes partidários e dos movimentos sociais, Manuela disse que a sua pré-candidatura emerge da diversidade contida no PCdoB, que ela exemplificou ao citar as presenças ali dos deputados Orlando Silva e Leci Brandão.

“Nós somos um partido que, na vida real e não no discurso, pratica uma política exercida pela maioria do povo, por mulheres e negros. Nesse momento, a diversidade brasileira deve se expressar no debate sobre os rumos do país. Precisamos dizer que os direitos sociais dos trabalhadores e os nossos direitos individuais estão ameaçados por essa gente que entrega o país”, indicou.

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Segundo ela, um dos nortes da sua pré-candidatura é a ideia de que é preciso retomar a capacidade de investimento do Estado. “Nosso partido entende que o Estado tem papel importante na retomada do crescimento da economia e é preciso financiar isso com uma reforma tributária progressiva, que cobre mais impostos dos multimilionários brasileiros. O povo paga muito imposto no seu arroz e seu feijão, e os multimilionários pagam impostos pequeníssimos sobre suas mansões e carros de luxo”, discursou.

A deputada analisou, contudo, que não há como desenvolver o país sem enfrentar temas sociais, como a desigualdade entre homens e mulheres. “De cada mil jovens brasileiros, só 22 optam por áreas afeitas à inovação. Desses, só um é mulher. Ou enfrentamos esses temas ou não iremos nos desenvolver nesse tempo”, afirmou.

Para Manuela, não há contradição entre defender o desenvolvimento e o direito das mulheres, dos negros, da população LGBT etc. “Não existe nação sem povo. Não há povo sem diversidade e não há projeto de desenvolvimento que seja justo se não combater as desigualdades econômicas e sociais, porque o capitalismo nos oprime a partir de quem nós somos”, declarou.

No momento em que o país assiste à militarização ao improviso tomarem conta da política de segurança nacional, a deputada alertou para a importância de a esquerda pensar e agir em relação ao assunto. “Vamos entregar essa pauta à extrema direita, que defende a ausência do Estado e o armamento da população? Vejam o exemplo dos Estados Unidos. Trump propôs armar os professores. Essa é a discussão deles”, criticou.

De acordo com ela, a esquerda deve se contrapor a essas posições, compreendendo que “não se faz política de segurança sem polícia”. “E precisamos ter polícias que dialoguem com a o povo pobre. Não podemos ter polícia como a de São Paulo, que mata 2,5 por dia. Precisamos de polícia que olhe na cara do povo e seja parceira do povo na construção da paz”, propôs.

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Para isso, ela pregou uma ação organizada de governos centrais. “Precisamos garantir que haja uma autoridade nacional de segurança pública, que tenha capacidade de investigar, com ouvidoria e inspetoria. Para que o nosso povo confie na polícia. E a polícia tem que entender que está aqui para proteger nosso povo”.

Manuela afirmou ainda que é preciso enfrentar o tema de tributação das drogas, inclusive para cogitar a hipótese de investir essa tributação na reparação aos danos causados pela guerra do tráfico.

Na parte mais política de sua fala, Manuela ressaltou a importância de perceber que o ataque da direita não é a Lula e ao PT, mas à esquerda e seu projeto. “A judicialização da política e o esforço para retirar Lula da disputa se relacionam com as características que a direita constrói para enfrentar a crise do capitalismo no mundo: a democracia e o voto não são mais importantes para essa gente”.

A pré-candidata afirmou que a postura que cada militante tem em relação às outras postulações da esquerda deve se pautar por esta percepção. “Não é momento de trocar farpa, de nos dividirmos. Temos trajetórias diferentes. O Ciro é respeitadíssimo, foi excelente governador, deu uma grande contribuição ao governo do presidente Lula. O Haddad, o Lula, os nomes do PT são todos de companheiros com quem andamos juntos. O Boulos é parceiro nosso no movimento social”, enumerou.

“Enquanto a unidade não se dá em torno de uma única candidatura, ela deve se dar pelos laços que fazem com que sejamos um campo político. Precisamos preservar os vínculos. O PCdoB fez um esforço grande para que tivéssemos um programa mínimo comum para a retomada do crescimento, não podemos cair em disputas menores. Defendemos a unidade, para que possamos estar juntos no segundo turno. E essa unidade não pode ser artificial, tem que ser do povo que milita e resiste junto ao desmonte do Estado”, colocou.


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