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26 de abril de 2019, 08h33

Ministro da Educação diz que dinheiro do MEC sustenta “escolinha dos sem terrinha”

Weintraub anunciou ainda que o ministério traçará "metas agressivas". Pela manhã, Bolsonaro antecipou o fim dos cursos de filosofia e sociologia

Foto: Rafael Carvalho/Divulgação Casa Civil

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, afirmou nesta quinta-feira (25) que, se depender dele, não haverá mais recursos para o que chamou de “escolinha dos sem terrinha”, em referência ao MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra).

Weintraub, que substituiu o colombiano Ricardo Vélez no começo do mês, declarou que a destinação de verbas públicas seguia, até então, “viés ideológico”.

“A gente está chegando ao governo e vendo que muitos recursos públicos estavam indo para áreas que têm forte viés ideológico. Muitas escolas ‘sem terrinha’ são sustentadas com dinheiro do povo, do contribuinte, do pagador de imposto. Você aí está pagando mais caro o leite do seu filho, uma parte desse imposto, ICMS, acaba indo para a escolinha dos ‘sem terrinha’. Isso tem que acabar”, disse.

“Quer fazer, faz com o dinheiro deles. Não com o nosso”, completou.

Visita de Bolsonaro

Weintraub recebeu, nesta quinta-feira, a visita do presidente Jair Bolsonaro (PSL) na sede do MEC, em Brasília. O mandatário endossou o discurso do subordinado.

Após o encontro com o presidente, Weintraub anunciou que o ministério traçará “metas agressivas”, mas não quis adiantar o teor delas. Respondeu apenas que irá às comissões de educação do Senado e da Câmara dos Deputados para explicitá-las.

Sobre as tais “metas agressivas”, Bolsonaro deu uma pista do que seja, nesta sexta-feira, logo cedo, em sua conta do Twitter. Segundo ele, o ministro da Educação quer “descentralizar” investimento no ensino das duas áreas para “focar em áreas que gerem retorno imediato ao contribuinte, como: veterinária, engenharia e medicina”.

Para Bolsonaro, os estudos de humanas não “respeitariam o dinheiro do contribuinte” e a educação deve servir para ensinar “leitura, escrita e a fazer conta e depois um ofício que gere renda para a pessoa”.

Paulo Freire e o “viés ideológico”

Sobre o “viés ideológico”, Weintraub, ainda citou Paulo Freire, morto em 1997, que é tido por muitos educadores como uma referência na área da pedagogia. “Por que a gente não pode discutir as coisas aqui? É dogma?”, questionou. “Aquele cara lá, o Paulo Freire. Aquele cara ali. Aquele mural, está vendo aquele mural? Eu acho que é dogma. A gente não pode discutir? Tudo que ele falou é certo? Vamos apresentar números e evidências.”

Com informações do UOL


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