Moro diz ter pedido suspensão de salário de revista e parafraseia Chico Buarque: “Leia esta coluna que eu lhe dou de graça”

Após artigo confuso na revista Crusoé, do grupo Antagonista, ex-juiz diz que não quer "encrenca com o TCU", por ter firmado contrato enquanto ainda recebe como ministro, embora tenha deixado o governo Bolsonaro há dois meses

Intimado pelo ministro Bruno Dantas, do Tribunal de Contas da União (TCU), a explicar seu contrato com a revista Crusoé enquanto ainda recebe salário de ministro – embora tenha deixado o governo Jair Bolsonaro há mais de dois meses -, Sérgio Moro afirmou em nota de rodapé de um segundo artigo confuso que pediu a “suspensão dos pagamentos (ainda não havia recebido nenhum)” aos editores da publicação.

Sem citar o nome de Dantas, Moro diz que “um procurador do TCU entendeu que eu não posso cobrar, durante o período de quarentena imposta por ter deixado o cargo de ministro, para escrever artigos” e parafraseia Chico Buarque ao dizer que oferece a coluna “pro bono” aos leitores.

“Enquando isso não é resolvido – e longe de mim querer encrencar com o TCU – pedi aos editores a suspensão dos pagamentos (ainda não havia recebido nenhum). Então, saiba o leitor que está lendo uma coluna escrita ‘pro bono’. Posso até parafrasear o Chico Buarque e aconselhar o leitor: ‘leia esta coluna que eu lhe dou de graça'”, escreveu, citando o cantor, compositor e escritor, amigo muito próximo do ex-presidente Lula.

No artigo confuso, Moro ignora qualquer tipo de coerência e coesão textual para fazer uma analogia do livro “Como as Nações Fracassam”, de Daron Acemoglu e James Robinson, que cita a diferença econômica entre duas cidades homônimas nos EUA e no México, ao atual contexto político e tecer críticas ao governo Bolsonaro.

O ex-juiz da Lava Jato, no entanto, tropeça ao criticar a própria obra, que traria uma “tese questionável” ao fazer uma avaliação ao governo Lula. “O livro não está isento de algumas teses questionáveis, como a avaliação positiva sobre o governo federal sob o Partido dos Trabalhadores, mas ressalva-se que, em 2012, as contradições e os problemas da época ainda não tinham vindo totalmente à tona, principalmente para estrangeiros”, escreve.

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Plinio Teodoro

Jornalista, editor de Política da Fórum, especialista em comunicação e relações humanas.