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19 de junho de 2019, 09h15

MP apurou que Paulo Preto, do PSDB, teria dado 740 mil ao PCC por obra do Rodoanel

Das 37 pessoas indenizadas, entre outras coisas por desapropriações, 13 delas possuem passagem pela cadeia por crimes como homicídio, tráfico de drogas e roubo, entre outros

Foto: Agência Câmara

Investigação iniciada no MP-SP (Ministério Público de São Paulo) em 2016 e nunca inteiramente concluída aponta que o operador tucano Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, ex-diretor da Dersa, ordenou o pagamento de pelo menos R$ 740 mil em dinheiro da empresa a integrantes de grupo ligado à facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) em 2009.

Pelo menos 37 pessoas ligadas à criminalidade na região do Jardim São Francisco e do Jardim Oratório, na zona Sul de São Paulo, e da Vila Iracema, em Barueri, na região metropolitana da capital, foram indenizadas indevidamente. As irregularidades, de acordo com os autos do processo que correu no TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) teriam ocorrido em meio a desapropriações para as obras do trecho Sul do Rodoanel Mário Covas e prolongamento da avenida Jacu-Pêssego. A obra foi entregue em 2010.

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Das 37 pessoas indenizadas, 13 possuem passagem pela cadeia por crimes como homicídio, tráfico de drogas e roubo, entre outros. Ao menos um preso entrou na lista das indenizações enquanto estava na cadeia, e outro foi indenizado mesmo sendo foragido da Justiça. Nenhum deles teria direito aos cerca de R$ 20 mil que receberam cada, em um total de R$ 740 mil, em valores atualizados, de acordo com investigações feitas na época pelo promotor Cássio Roberto Conserino.

O dinheiro teria sido cobrado pelos integrantes da quadrilha para deixar os engenheiros e operários da obra trabalhar nos bairros citados, dominados pelo crime organizado e por onde passa o traçado do Rodoanel, assim como para permitir a demolição de imóveis desapropriados para a obra nas comunidades dominadas pelo tráfico de drogas.

Um funcionário da Dersa denunciou, em 2014, possíveis irregularidades ao MP-SP no cadastramento de pessoas para desapropriações na empresa pública. Pressionada pela denúncia, Mércia Ferreira Gomes, chefe do denunciante e ex-funcionária de Paulo Preto, firmou uma colaboração premiada com o MP-SP em maio de 2016 e contou para o promotor Conserino sobre as irregularidades de que tinha conhecimento nas obras do Rodoanel.

Além das indenizações irregulares para os integrantes da facção criminosa, Mércia contou que havia sido ameaçada de morte por Paulo Preto caso colaborasse com as investigações. Contou também que pelo menos 1.700 pessoas que não tinham direito à indenização das desapropriações foram pagas mesmo assim, sob o pretexto de não atrasar as obras – incluindo funcionários pessoais de Paulo Preto, que ganharam apartamentos da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional Urbano) indevidamente.

De acordo com a delatora, criminosos armados ou seus representantes compareciam à sede da Dersa, no Itaim, em São Paulo, para receber as indenizações. O dinheiro vivo era acondicionado em caixas e mochilas. A maioria dos beneficiados não assinava os recibos comprovando o pagamento do dinheiro, segundo a delatora.

Com informações do UOL

 


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