Não fiz política só para minha geração, diz Luiza Erundina

Candidata a vice em SP comenta sobre "encontro de gerações" na chapa com Boulos e diz que eventual vitória seria um "instrumento a mais" contra o governo Bolsonaro

Em entrevista ao Fórum Café nesta quinta-feira (8), a candidata a vice na chapa de Guilherme Boulos (PSOL) à prefeitura de São Paulo, Luiza Erundina, diz que escolheu se unir ao líder do MTST na disputa eleitoral deste ano como forma de levar “esperança” às novas gerações. Hoje com 83 anos, Erundina diz que “encontro de gerações” pode assustar, mas que ambos estão alinhados em relação à luta popular.

“Há 30 anos, governei essa cidade com muitos preconceitos, por ser mulher, nordestina, pobre, assistente social. O paulistano quatrocentão deve ter se assustado. Entendo que a chapa Boulos e Luiza Erundina assusta, mas para outros pode ser algo bom esse encontro de gerações”, afirma.

Erundina destaca que seu projeto político não se restringe à sua geração e que vê em Boulos alguém que pode levar “esse sonho” para frente. “Como já estou na fase final da minha trajetória política, ver um jovem com essas características, com esse engajamento, com essa generosidade, com esse compromisso de vida, me dá muita alegria. E a esperança pra mim sempre foi um sentimento forte. A esperança é revolucionária, não nos permite paralisar, ter medo, não acreditar, se deprimir”, afirma.

“Eu não pensei na mudança só no meu tempo de vida. Acredito que as novas gerações vão sonhar também, com essa esperança, com essa certeza de que é possível mudar, que a história não anda para trás. Vejo em Boulos alguém que vale a pena colocar nas mãos esse sonho, que vai levar para frente para muitos outros jovens como ele”, continua Erundina.

Para a candidata a vice, a vivência que teve com a seca no Nordeste foi um dos pilares da sua trajetória na militância. “Uma das minhas características é nunca perder a esperança. Até mesmo pela minha origem, lá no Nordeste, na seca. Aquela forma como Graciliano Ramos descreve em Vidas Secas. É de fato ter sobrevivido aquilo tudo que marcou minha presença na história. O que eu queria era contribuir com a mudança da realidade, aquela que vivia como a maioria do meu povo no Nordeste e as injustiças que eu precocemente percebia. Eu passei por tudo que alguém pode passar na vida”, afirma.

Erundina acredita também que uma eventual vitória em São Paulo seria um forte instrumento contra o “retrocesso” do governo Bolsonaro. “Conquistar de novo a cidade de SP vai ser um instrumento a mais contra o obscurantismo, contra o retrocesso, contra a violência”, diz.

Assista a entrevista completa:

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Luisa Fragão

Jornalista.