No Roda Viva, Randolfe diz que eventual impeachment de Bolsonaro pode ser “consequência do relatório final” da CPI

Vice-presidente da comissão que apura as omissões do governo na pandemia, o senador ainda fez questão de apontar diferenças entre as manifestações pró-Bolsonaro e contra

Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, na noite desta segunda-feira (31), o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da CPI do Genocídio, não descartou a possibilidade de que o presidente Jair Bolsonaro, ao término da apuração da comissão, seja alvo de um processo de impeachment.

“Um eventual impeachment pode ser consequência do relatório final. Temos que reunir elementos pra isso. A pergunta central da CPI é: quem são os responsáveis pelo Brasil, em números proporcionais, ser o país que mais mata por Covid no planeta?”, declarou.

Segundo o parlamentar, a CPI já conseguiu produzir “resultados sanitários”: “Até a família do Zé Gotinha voltou para a TV, o presidente, em rápido surto, em algumas ocasiões, chegou a usar máscaras”.

Randolfe afirmou que, a depender da conclusão da CPI, caso seja constatado crime de responsabilidade de Bolsonaro na condução do combate à pandemia, os resultados devem ser encaminhados não só à procuradoria-geral da República (PGR), como também ao presidente da Câmara, sinalizando a possibilidade de um processo de impeachemnt.

Sobre o PGR, Augusto Aras, o senador afirmou que ele foi “omisso” com relação às atitudes de Bolsonaro, e que a análise do relatório final da CPI será uma oportunidade do procurador “se redimir”. “A CPI existe por conta da omissão dele. Se ele tivesse agido, talvez não estivéssemos neste atoleiro sanitário (…) Poderá fazer uma autocrítica da omissão até então”, pontuou.

Perguntado se a CPI já enxerga supostos crimes cometidos por Bolsonaro, Randolfe disse que “há elementos muito fortes de que a omissão para a aquisição de vacinas custou a vida de pelo menos 80 mil brasileiros”. “Em fevereiro,  março, já poderíamos ter imunizado todos os grupos prioritários”, afirmou.

Manifestações

Randolfe, durante a entrevista, também falou sobre as manifestações contra Bolsonaro realizadas em todo o país neste último domingo (30). O senador se diz contra qualquer tipo de aglomeração, mas fez questão de pontuar que os atos contra o presidente e aqueles liderados pelo próprio titular do Planalto têm contextos distintos.

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“Não recomendo aglomerações em hipótese nenhuma, mas é importante fazer uma diferenciação entre as manifestações. Uma é a do presidente, sem ninguém usar máscara, feita por aquele que deveria proteger os brasileiros. Outra organizada pelos movimentos sociais, defendendo medidas sanitárias e aquilo que o governo não faz, que é a vacinação. Isso é importante de ser assinalado (..) Não é aceitável o presidente ir para a rua sem máscara, incentivar aglomerações e ainda levar um general, esculachando a tradição do Exercito, ofendendo não só a CPI como os mais de 460 mil brasileiros mortos”, sustentou.

Assista à entrevista.

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Ivan Longo

Jornalista, editor de Política, desde 2014 na revista Fórum. Formado pela Faculdade Cásper Líbero (SP). Twitter @ivanlongo_

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