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08 de abril de 2019, 17h56

Novo ministro da Educação: A sinfonia do caos continua

Abraham Weintraub, o substituto, é mais do mesmo, sem noção alguma da pasta, sem domínio, sem projeto e sem nenhum respaldo na área - Por Vagner Marques

Abraham Weintraub (E) foi apresentado a Bolsonaro por Onyx Lorenzoni (D), com quem trabalhou durante a transição (Foto: Rafael Carvalho/Governo de Transição)

Por Vagner Aparecido Marques*

Não me asusta a demissão do ministro Ricardo Vélez Rodríguez, tampouco me surpreende a nomeação de Abraham Weintraub, o substituto; continuo a afirmar que o problema não são os ministros, o problema é o próprio projeto, traduzido no Plano de Governo do regente do caos.

Assim como Vélez Rodríguez, Abraham Weintraub não sabe coisa alguma de educação, não tem histórico na área, não é referência e irá seguir a cartilha que visa “expurgar Paulo Freire” e as outras imbecilidades contidas no atual projeto de país.

O regente Bolsonaro demitiu o ministro Vélez através de sua página pessoal no Twitter, rede oficial de comunicação utilizada pelo do atual (dês)governo e que também foi palco para a demissão do outro ministro, o Bebbiano.

Abraham Weintraub, o substituto, é mais do mesmo, sem noção alguma da pasta, sem domínio, sem projeto e sem nenhum respaldo na área.

Veio para encarnar um governo sem projeto de sociedade e sem nenhuma pauta particular para a Educação. Basta ler o Plano de Governo para saber que o problema é o regente Bolsonaro e seu governo em si, não um ou outro ministro em particular.

Abraham Weintraub era secretário-Executivo da Casa Civil e foi remanejado para assumir o Ministério da Educação. Estava presente na transição do governo, principalmente na articulação da proposta da reforma da Previdência, assunto que ele domina mais que Educação. É economista, atuante do setor privado, com carreira em bancos. O que sabe sobre Educação? O que ele pode acrescentar de fato? Qual sua experiência? Quais suas contribuições para a área da pasta que assumiu?

Olhei seu currículo e desafio qualquer pessoa encontrar um só simpósio sobre Educação que ele tenha participado, algum congresso que tenha apresentado ideias ou texto produzido na área. Não tem nenhuma participação em qualquer evento que o credencia a assumir a pasta mais importante do país, razão pela qual me faz reafirmar que o problema é o regente Bolsonaro.

Assim como Vélez Rodríguez, o substituto não conhece nada de Educação, não conhece nenhum dos programa do MEC, não conhece as políticas públicas de Educação do país, os programas de formação de professores, as metas do Plano Nacional de Educação ou os desafios que a pasta apresenta.

Insisto: o problema não são os ministros, o problema é o projeto, é Bolsonaro. É ele e tudo o que seu (des)governo representa o responsável pela sinfonia do caos.

*Vagner Aparecido Marques é professor universitário, historiador, doutor em História Social e mestre em Ciências da Religião, ambos pela PUC-SP 


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